Numa área de dois hectares do Parque João Milanez - antiga Fazenda Refúgio - 2,5 mil mudas e árvores frutíferas de diversas espécies compõe um dos maiores pomares de Londrina. Trabalho fruto da dedicação de um homem, que agora pode ser visitado por toda comunidade que queira aprender ou apenas conhecer essas plantas. O técnico agrícola Vilamir Colombelli, 59 anos, doou toda sua coleção de plantas na qual dedicou boa parte de sua vida.
Colombelli, que recentemente sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), trabalhou no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) por 35 anos, onde integrou equipes de pesquisa que desenvolveram importantes projetos de investigação científica. Nos últimos 5 anos, ele cultivava árvores frutíferas num terreno próximo à sua casa. São mais de 50 espécies de jabuticabas, além diferentes frutas raras, como o canistel da Amazônia Peruana, que foram doadas ao Parque, já que Vilamir não pode dar mais a atenção necessária a elas. Muitas dessas plantas, ele já dava um cuidado especial na sede do Iapar há anos ''Estou feliz em poder doá-las. O que desejo é que as crianças utilizem no futuro todo material que cultivei, que sirva de estudo para o desenvolvimento delas'', enfatiza.
As mudas, que se avaliadas individualmente podem chegar ao montante total de R$ 250 mil, foram transportadas do terreno de Vilamir para o Parque João Milanez com o auxílio da Secretária Municipal do Ambiente (Sema). Foram pelo menos quatro ''viagens'' até que todas as plantas chegassem ao seu destino final com segurança. ''Os frutos dessas plantas também servem de alimento aos pássaros. Esse pomar vai fazer com que os pombos busquem alimento no parque, deixando o centro da cidade'', explica José Novaes Faraco, secretário do Sema. Vale ressaltar que a área verde em Londrina é de 42 metros quadrados por habitante.
Para o advogado ambientalista Ricardo Maruch, o plantio de árvores num parque desse porte é o começo da recuperação ambiental. ''A partir do plantio de árvores frutíferas é que a fauna começa a ser restaurada'', explica Maruch.
Como ainda está debilitado pela doença, Colombelli não teve a oportunidade de ir até o parque para ver como estão as ''suas crias''. ''Quero ir até lá para dar os nomes delas, uma a uma. Estou morrendo de saudades. Para o futuro, ainda sonho fazer um viveiro, onde possa ir visitar e passar o tempo'', complementa esse apaixonado pela natureza.

mockup