Um pedacinho da Alemanha no Paraná
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
''Passamos 21 dias num navio e depois de aportarmos em Santos fizemos uma viagem de três dias de trem para chegar em Guarapuava''. Aos 69 anos, Theresia Jungert lembra com emoção de quando deixou a Iugoslávia, em 1951, para tentar a vida no interior do Brasil.
Ela representa uma das 500 famílias de suábios que deixaram a região do Danúbio - entre a Iugoslávia, a Romênia e a Hungria - para colonizar o distrito de Entre Rios, a 20 quilômetros de Guarapuava. A área era formada pelas fazendas Vitória, Jordãozinho, Cachoeira, Socorro e Samambaia e pertencia a antigos escravos apadrinhados pela fazendeira Balbina Francisca Siqueira. Quando faleceu, em 1860, ela deixou as terras, em testamento, para um grupo de 11 herdeiros que ainda hoje reivindicam a posse do local.
Responsável pelo projeto de colonização, a Cooperativa Agrária Mista Entre Rios, fundada em 1951, comprou as terras e realocou os colonos. ''Aqui não tinha nada, era tudo campo. Logo que chegamos tivemos de morar em uma barraca junto a outros colonos'', conta Theresia, que tinha 15 anos quando chegou ao País com o pai, a mãe, o irmão mais velho, a cunhada e três sobrinhos. ''Nossa primeira casa, na colônia Jordãozinho, era de madeira e não tinha janelas'', recorda.
Ela afirma que, nos dois primeiros anos, o gado do antigo proprietário da fazenda ainda ocupava a terra, que era cultivada com horta. Em 1953, as terras foram então distribuídas de forma igualitária pela cooperativa. ''Os casais receberam 15 hectares, os moços maiores de 14 anos receberam oito e as moças quatro'', conta Theresia.
Em 1954, as famílias começaram a trabalhar por conta própria, mas comprando insumos e entregando a produção à cooperativa como é feito até hoje. Segundo Theresia, no início, os colonos plantavam trigo, aveia e batatinha. ''Sempre trabalhei como adulta, no campo, na serraria ou carpindo. Até hoje toco sozinha uma fazendinha de gado'', orgulha-se. Viúva, ela teve dois filhos, um deles já falecido. O outro também é agricultor em Entre Rios.
Bastante unidos, os colonos suábios preservaram a cultura alemã, ensinando a língua e a culinária típica para os filhos e netos. Hoje, as cinco colônias de Entre Rios são um pedaço da Alemanha no Brasil. ''Somos tradicionais, mas também absorvemos muito da cultura brasileira ao longo dos anos. Nós não tínhamos pátria e aqui, hoje, nos sentimos em casa'', confessa a imigrante.


