Uma coleção de máquinas e implementos agrícolas antigos, instalada em dois prédios de 4.200 m2, conta parte da história da agricultura no País a partir da mecanização agrícola e retrata a evolução pela qual o setor de equipamentos caminhou nos últimos anos.
O museu tem mais de 300 peças. O maior acervo é de tratores, muitos ainda funcionando. Ali também é possível encontrar colheitadeiras, que eram rebocadas por tratores, além de peças como ceifadeiras de trigo e arroz que eram puxadas a trator ou a tração animal, entre outros implementos antigos.
A idéia de montar o museu surgiu quando José Ribeiro Mendonça, fundador da empresa Agromen Sementes, decidiu restaurar o primeiro trator que seu pai Sergino usou na fazenda da família em Ipuã, próximo a Orlândia. Hoje, seu filho Sergino, que leva o nome do avô, é quem cuida do acervo.
Da restauração do primeiro trator, feita para manter uma recordação de família, José Ribeiro acabou restaurando mais outros oito equipamentos que também foram comprados antes da década de 60. De lá para cá não parou mais.
A criação do museu, conta Sergino Mendonça, colabora também para a preservação da memória nacional já que tratores, máquinas e implementos que fizeram parte da história do Brasil estavam sendo desmanchados, se perdendo nos pátios das propriedades agrícolas ou mesmo sendo derretidos em siderúrgicas.
Hoje toda a equipe da empresa de sementes é orientada para localizar entre seus clientes tratores antigos. ''Algumas pessoas ao saber da formação do museu espontaneamente doaram máquinas ou implementos que até então guardavam com carinho em suas propriedades'', conta Sergino.
Os mecânicos que reparam máquinas e veículos da empresa também ganharam um serviço extra: restaurar a forma original de tratores que estão parados há décadas; reconstituir um monte de peças que são encontradas separadamente; recuperar equipamentos que poderiam virar ferro velho ou ferro fundido.
Embora o trabalho seja antigo, o museu só foi inaugurado em 2002 para comemorar os 30 anos da empresa de sementes. Lá estão guardadas máquinas consideradas uma preciosidade, fabricadas antes de 1920, modelos com motores a gasolina ou querosene.
Até hoje a compra das máquinas e peças é feita pelas empresas distribuidoras da Agromen. Muitas chegam retorcidas, enferrujadas pelo tempo ou incompletas, conta Sergino Mendonça, filho de José Ribeiro. Ele se dedica à pesquisa para saber como eram as máquinas originais e muitas vezes é preciso fabricar ''novas'' peças artesanalmente. ''Os adesivos, por exemplo, são encontrados na internet, geralmente fora do Brasil onde existe muita gente também aficcionado pelo assunto'', conta Sergino.
O tempo de restauração varia de acordo com o estado de conservação da peça. Pode-se investir de 60 dias a um ano inteiro no processo de recuperação de um único trator. O que deu maior trabalho para a equipe até agora foi um trator Oliver, de rodas de ferro, localizado no Sul de Minas Gerais. Este é um exemplo da pesquisa internacional, já que foi preciso para o restauro do capuz, das rotas dianteiras e de algumas outras peças a vinda de catálogos específicos dos Estados Unidos.
A restauração é um trabalho difícil, que requer grande dose de paciência e determinação. Em alguns casos só foi possível montar um trator original utilizando-se peças de até três sucatas em estados de conservação dos mais diversos, relata Sergino.
A primeira máquina do acervo foi comprada zero quilômetro antes mesmo de a Agromen existir como empresa. Está na família dos fundadores da organização desde 1953: um trator Fergunson 35, fabricado no Canadá - aquele que José Ribeiro resolveu restaurar para guardar a memória de seu pai e da família. ''Na verdade, esta foi a segunda unidade motriz adquirida pela família. A primeira, uma Massey Harris 33, adquirida em 1947, perdeu-se como tempo. Mas uma similar foi encontrada, restaurada e encontra-se no museu,'' conta Sergino.
A peça mais antiga é um Fordson Major de 1917. A mais rara, consideram os proprietários, é um trator americano Case modelo fg - zsm 713 15-27, de 1919. Ele tem rodas de ferro, motor transversal e é dotado de um apito similar ao das antigas locomotivas, utilizado em sua época para chamar as pessoas da lida no campo para as refeições ou para o início de alguma atividade.
O mecanismo de ignição é curioso. Para fazê-lo funcionar deve-se acender um charuto ou cigarro e lançá-lo dentro de um espaço determinado no motor. O condutor consegue ligar o trator acionando em seguida uma manivela. O proprietário deste peça, que veio de Santa Catarina, só concordou em enviá-la para Orlândia depois de descobrir que ele faria parte de um museu. A Agromem não tem registros de outra unidades como esta no Brasil.
As cores originais sempres são capítulos à parte no processo de restauração de um trator. Os antigos geralmente tinham rodas de uma cor, os parafustos destas mesmas rodas eram de outra, o chassi tinham uma cor distinta das citadas. Sempre é necessário recorrer a livros e catálogos obtendo as cores originais muitas vezes a partir da mistura de tintas diversas.


Serviço: O museu está aberto para visitas programadas que devem ser agendadas na Agromen Sementes, em Orlândia (SP), pelo telefone (16) 3826-1777.

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