O operário Ataíde Pereira dos Santos, na lavoura onde foi aplicado o adubo orgânicoA fórmula foi desenvolvida pelo empresário Carlos Alberto Ruiz Mellero, de Mandaguari (região Noroeste), para melhorar as vendas de sua empresa de adubo orgânico. Ele calcula que a área experimental, em torno de 500 metros quadrados, renderá pelo menos quatro sacas de feijão - ‘‘o dobro do volume colhido no ano passado’’.
VantagensMas, as vantagens não páram por aí. A semente plantada é de feijão carioquinha, colhido na mesma área no ano passado e não sofreu nenhum tratamento especial. Durante o período de semeadura e desenvolvimento da planta, a lavoura também não sofreu nenhum ataque de pragas ou doenças, o que dispensou o uso de qualquer tipo de defensivo químico. Pelos cálculos de Mellero, foram utilizados cerca de 100 quilos de adubo na área.
Ele revela que todos os anos, antes de colocar o produto no mercado, faz uma experiência com feijão dentro da área industrial. O local não é próprio para agricultura, apesar de estar próximo de propriedades rurais. ‘‘Não fazemos nenhum tipo de preparo do solo; apenas jogamos o adubo e as sementes com as mãos mesmo’’, revela. Mellero diz que a formulação utilizada este ano, 4/14/8 organomineral, acabou surpreendendo. ‘‘Sempre buscamos melhorar a fórmula, que agora chegou a um nível muito bom’’, garante.
Marcos Negrini




ProdutividadeO plantio experimental de feijão, para avaliar o novo adubo, deverá produzir o dobro do ano passado.

Outra vantagem do adubo organomineral é o preço, cerca de 15% menor que o químico. Mellero diz ainda que enquanto o adubo organomineral tem a mesma fórmula do químico (nitrogênio, fósforo e potássio), leva também esterco de galinha, superfosfato e cloreto de potássio como enchimento. Ele explica que é permitido a qualquer indústria de adubos utilizar 60% do volume com enchimentos. ‘‘E as indústrias de adubo químico usam cimento, gesso moído e outros produtos como enchimento’’, garante Meleiro.
No adubo organomineral, o enchimento é feito com material orgânico, que é aproveitado pelo solo, explica ele. ‘‘Se levarmos mais esta vantagem em conta, o custo do tratamento da lavoura será ainda menor’’, diz. Ele calcula que o volume de adubo químico ou organomineral é praticamente o mesmo em todo tipo de lavoura. ‘‘Não existe contra-indicação em relação ao solo ou à cultura’’, garante.
SurpresaO operário Ataíde Pereira dos Santos, funcionários da empresa de Mellero, responsável pelo plantio do feijão, disse que ficou surpreendido com o desempenho da lavoura. As sementes foram plantadas há cerca de um mês, e as plantas já estão carregadas de vagens. ‘‘Só de ver a lavoura dá pra calcular o dobro de feijão em comparação com os outros anos’’, diz. Ele garante que, além das sementes, só usou o adubo organomineral. ‘‘Nunca fiz o preparo da terra, que fica na beira da rodovia, e não é própria para lavoura’’, garante.
A empresa de Mellero produz em média 500 toneladas de adubo organomineral por mês, e toda produção é comercializada com facilidade, principalmente no Mato Grosso. As vendas, diz ele, estão crescendo devido ao uso do adubo em lavouras de café e algodão, culturas que o governo tem incentivado. O empresário quer agora colocar parte da produção em lavouras que ocupam grandes áreas. Para isso, acredita que a nova formulação e os bons resultados do feijão podem contribuir no uso em larga escala do adubo organomineral.

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