Imagem ilustrativa da imagem Um olho no céu e outro no calendário
| Foto: Gina Mardones

O produtor de grãos paranaense projeta seu futuro olhando em todas as direções: primeiro olha em direção ao céu - na expectativa que a chuva venha logo para o início do plantio da soja de verão safra 2019/20. Depois, no solo, para saber se a umidade é suficiente para iniciar os trabalhos. Lá na frente, foco no calendário, com a expectativa de não perder a melhor janela de plantio e já projetando o milho safrinha para o ano que vem.

De fato, o clima seco e a falta de chuvas durante o mês passado e, que persiste agora no início de outubro, não tem permitido que o plantio da oleaginosa ganhe ritmo no Estado, que iniciou há um mês (10 de setembro). Nesta semana, o relatório de acompanhamento divulgado pelo Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria da Agricultura e do Abastecimento) mostra que a velocidade da safra está bem aquém comparado a 2018/19. Além disso, as previsões de chuva não são as mais empolgantes para os próximos dias (veja box). O produtor, claro, fica nessa expectativa de melhora.

Até na semana passada, a área plantada no Estado era de 1,2 milhão de hectares, 22% do total de 5,49 milhões de hectares destinados à commodity. Valor bem abaixo dos 38% de área semeada no período anterior. Além disso, na média dos três últimos anos, o número ficou na casa dos 36% em datas semelhantes. “A região Oeste é a que está mais atrasada , onde o pessoal está correndo contra o tempo. Eles plantam antes e pegaram justamente esse período de estiagem”, relata o economista especialista na cultura, Marcelo Garrido.

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Ele explica entretanto que a chuva que ocorreu no último fim de semana no Estado ainda não refletiu nos números do Deral. Mesmo assim, ele cita que não foi suficiente em algumas cidades, como Toledo, que ainda precisa “de mais uma leva de chuvas”. “Em outras regiões, a situação das precipitações também não foi perfeita. No Norte, por exemplo, as cidades também estão atrasadas, mas a época de plantio é mais agora em outubro”. Em Londrina, a área plantada é de apenas 2%, Maringá, 8%, enquanto Jacarezinho já tem 16% da área plantada.

Em relação a mudanças no volume de produção, Garrido acredita que é precipitado tratar do assunto. Até aqui, a expectativa permanece em 19,8 milhões de toneladas, contra 16,1 milhões da safra passada, quando a estiagem pegou algumas regiões justamente em momento de desenvolvimento da cultura. O crescimento, portanto, seria próximo aos 23%. A safra 17/18 fechou em 19,1 milhões de toneladas. ”A aflição agora é que pode acontecer uma concentração de plantio, o que lá na frente gera uma concentração de colheita, podendo gerar transtornos dependendo do clima.”

SAFRINHA 2020

Todo esse atraso da soja neste momento pode gerar situações desconfortáveis quando se olha para a próxima safra do milho safrinha, plantada de forma escalonada entre janeiro e março de 2020, dependendo da região. Em alguns locais, esse atraso da oleaginosa pode até fazer o produtor migrar para o trigo e evitar perdas ligadas à geada, por exemplo.

O técnico do Deral, Edmar Gervásio, explica que quando o produtor perde o período ideal de plantio dentro do calendário, os riscos climáticos aumentam, além da perda do seguro rural (que segue à risca o calendário) e também questões mais técnicas, como a falta de luminosidade ideal. “É um sinal de alerta, mas ainda é cedo para cravar uma situação mais complicada.”

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| Foto: Folha Arte
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