Um olho na lavoura, outro nas contas
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sexta-feira, 15 de agosto de 2003
Cláudia Barberato<br> Reportagem Local 
A prática de aplicar produtos para controle de pragas e doenças na lavoura do trigo, sem um monitoramento adequado, ainda leva muito do lucro dos agricultores. Alguns compram produtos ''por área'' e não de acordo com a necessidade de uso.
É o grau de infestação das lavouras que determina número e quantidade para a aplicação de produtos. Basta uma visita ao campo duas vezes por semana, num acompanhamento do estado sanitário da lavoura, para que o agricultor tenha a exata noção de quando será preciso fazer o controle químico.
Há três anos o técnico da Emater de Arapongas, Antônio Bodnar, vem desenvolvendo com agricultores um trabalho de incetivo ao monitoramento do trigo para aplicação de fungicidas.
Parte do programa executado em Arapongas e Sabáudia foi apresentado na semana passada na 10 Expotécnica. Segundo o agrônomo, levantamento feito em 2001, quando foi iniciado o programa de monitoramento, demonstrou que 70% dos agricultores faziam em média 2,3 aplicações de fungicidas para controle de oídio e ferrugem da folha.
Depois do incentivo em adotar o monitoramento esse quadro já mudou, garante Bodnar. Hoje são realizadas de 1,5 a 2 aplicações, ''ainda acima do preconizado.'' Segundo ele, o ideal seria uma aplicação com base na infestação. Com o monitoramento, constatada a presença de oídio, o fungicida só é aplicado quando a incidência foliar ficar na faixa de 20% a 25%. No caso da ferrugem, 15%.
O custo de produção da lavoura de trigo com o monitoramento é de 60 sacas/alqueire. Sem o monitoramento este custo vai para 84 sacas/alqueire, considerando uma média de três aplicações de fungicidas.
Os agricultores Jacinto Piveta e Hélio Sudak, que adotam o monitoramento, afirmam que este ano não foi preciso aplicar fungicida.
Jacinto Piveta tem 120 alqueires onde cultiva trigo e milho safrinha no inverno. De olho na lavoura, a cada dois dias, Piveta tem feito aplicações ''apenas quando é necessário''.
Hélio Sudak tem 20 alqueires e adota o mesmo manejo. Este ano foram 12 alqueires de trigo. Fazendo rotação de cultura, além do uso de variedades resistentes, Sudak faz monitoramento na lavoura para redução de custos e se orgulha de ter um custo de 56 sacas/alqueire, enquanto a média fica em 60 sacas. ''Minha produtividade é de 130 sacas, com custo de 56 sacas, o restante é lucro.''


