A idéia inicial de implantar a avicultura como mais uma opção de diversificação para os produtores rurais de Barra do Jacaré (47 km a oeste de Jacarezinho) superou as expectativas. A criação de frangos hoje, se destaca como a principal atividade econômica do município respondendo pela soma de R$ 12 milhões do Valor Bruto de Produção (VBP) e gerando pelo menos 140 empregos diretos. ''A avicultura praticamente dobrou a arrecadação do município'', comemora o técnico Edson de Oliveira, da Emater.
Do total de 12 mil hectares que compõem o município, as granjas atingem apenas 1% dessa área. ''Bem conduzida e com todos os cuidados fitossanitários a avicultura tem rendimento bastante superior ao da soja'', compara. Mesmo com os resultados positivos, a avicultura não interferiu na área de plantio de soja que ocupa 70% dos terrenos agricultáveis.
O projeto, segundo Oliveira, teve início em 1997 com palestras e excursões de incentivo aos produtores interessados. O objetivo era incrementar a produção agrícola e melhorar a oferta de empregos. A instalação das granjas contava com recursos do Prodeagro, gerido pelo Banco do Brasil e Sicredi. Atualmente estão na atividade 12 produtores com um total de 27 granjas. Os frangos produzidos têm um destino certo: o Oriente Médio. Pelas exigências desse mercado consumidor, as aves são abatidas entre 27 e 33 dias. Assim, é possível a retirada de 8 lotes ano, num total de 750 mil frangos/lote. ''Estamos trabalhando para elevar o número de granjas e fecharmos uma retirada de 1,5 milhão de aves/lote'', conta.
O produtor Natalício Tomio Takano foi um dos pioneiros na avicultura. Em sua propriedade de 145 hectares ele possui em funcionamento três aviários com capacidade para 27 mil frangos cada. Nos meses de janeiro e fevereiro de 2005, respectivamente, entram em funcionamento duas novas granjas. Os aviários ocupam apenas dois hectares do sítio. O produtor não tem o valor exato dos ganhos mas, comparando com a renda da soja, Takano, garante que precisaria aumentar a área da propriedade em, pelo menos, mais 20% (cerca de 40 hectares). ''Não tem atividade melhor'', resume.
Takano alerta, entretanto, que a implantação da granja exige um investimento relativamento alto, cerca de R$ 160 mil. O retorno do capital, calcula, vem a partir de 2,5 anos. A ave é sensível ao calor, por isso, cada barracão conta com exaustores além de sistemas de climatização. O aviário possui cortinas com a função de escurecer o ambiente e deixar as aves mais calmas diminuindo o risco de lesões na pele. ''O mercado árabe não consome aves com a pele machucada, nem mesmo com calos nos pés'', explica.
A propriedade de Natalício Takano é considerada modelo em cuidados fitossanitários. Nenhum veículo entra no sítio sem passar por um processo de desinfecção. A entrada no espaço ocupado pelas aves exige ainda a limpeza dos sapatos em uma mistura desinfetante ou a colocação de ''botas'' plásticas nos pés. Quem frequenta a granaja apenas para retirada dos frangos tem que passar por um banho e fazer troca de roupas. A medida faz parte do controle dos riscos de contaminação.
As aves são criadas em parceria com uma empresa, responsável também pela comercialização com os países do Oriente Médio. ''Sou um prestador de serviços'', explica Takano. A empresa oferece os pintinhos e todo a alimentação necessária para a criação das aves. Do total colocado no avaiário as perdas são de 2% (mortes naturais e aves eliminadas pelo baixo desenvolvimento). Em cada aviário são distribuídos de 50 a 60 mil quilos de ração por lote. O ganho do produtor é por cabeça aproveitada no abate. ''A renda varia entre R$ 0,30 a R$ 0,40 por ave. A eficiência determina o ganho''.
Takano lembra que além das aves, ele pode ganhar também com a venda do esterco retirado dos aviários. Por enquanto, ele não está comercializando as camas de frango pois utiliza o material no melhoramento das condições dos solos da propriedade. As camas são retiradas a cada três lotes de frangos, com exceção do espaço onde são acomodados os pintinhos nos primeiros cinco dias, cuja renovação deve ser feita a cada novo lote de aves. O preço de mercado do esterco de galinha, segundo ele, varia entre R$ 40 e R$ 50/tonelada.

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