Uma nova marca de café paranaense entra no mercado brasileiro a partir de janeiro propondo um conceito diferente de vender o produto. O VeroCafé chegará às prateleiras dos supermercados com uma rotulação que permite identificar a bebida, o tipo, a peneira, a espécie e o grau da torra, garantindo ao consumidor o direito de saber o conteúdo do café que está levando para casa.
Para facilitar a escolha, a embalagem traz também orientações para interpretar o rótulo (ver texto abaixo). ''Não se trata apenas do selo de pureza, mas de garantia de qualidade'', afirmou o cafeicultor Ricardo Gonçalves Strenger, um dos três sócios da empresa e presidente da Associação Paranaense de Cafeicultores (Apac).
Preços
O selo de qualidade adquire importância diante da grande quantidade do café robusta asiático que entra no mercado brasileiro. Com índices mais altos de cafeína e sem sabor, aroma ou paladar, essa variedade de café é mais barata que o arábica, caracterizado pelo sabor, aroma e paladar acentuados, além dos baixos índices de cafeína.
Quando a indústria mistura os dois cafés para abaixar o preço final acaba disponibilizando um produto de qualidade inferior. ''A rotulagem permitirá que o consumidor entenda as variações de preço. Ao optar por uma marca barata com grande quantidade de robusta, ele saberá que está comprando um café com essas características'', esclareceu.
O quilo de VeroCafé 100% arábica lançado no mercado custará R$ 9, preço que Ricardo considera acessível. ''Um quilo faz 120 cafezinhos, que custarão menos de R$ 0,10 cada'', disse. No futuro, a empresa pode lançar tipos mais baratos.''Nesse caso, o rótulo também estará explicando porque o preço é menor'', afirmou.
Consumidor
O consumidor estaria preparado para entender todas essas mudanças? Segundo Strenger, esse argumento é usado pela indústria para tentar impedir a popularização da nova rotulagem. ''São conceitos simples e objetivos. Dizer que o consumidor não entederia os rótulos significa subestimar sua inteligência'', analisou.
Outra crítica à indústria diz respeito à guerra de preços travada entre as diversas marcas. O produtor explicou que o momento é de baixos preços e por isso, as torrefações deveriam estar processando café de alta qualidade. Diante da competição para vender mais barato, porém, acabam utilizando produtos de qualidade inferior. ''O resultado é que o consumidor fica desgostoso e deixa de consumir'', observou.
Competitividade
Strenger ressaltou que além da nova rotulação, a empresa inova ao buscar competitividade ''da porteira para fora''. O objetivo é agregar renda e permitir que os recursos cheguem mais rápido às mãos dos produtores. Segundo Strenger, o agronegócio do café movimenta US$ 60 bilhões por ano, mas apenas 9% desse montante fica com os agricultores. ''Não é uma divisão equitativa'', considerou.
Para aumentar a competitividade, eles decidiram profissionalizar a comercialização do produto contratando negociadores internacionais para agilizar exportações. Também pretendem manter fluxos regulares de entregas e um padrão de qualidade. ''Vamos pular alguns elos da cadeia produtiva. A única alternativa de permanecer na atividade é assumir essas funções e chegar mais próximo do consumidor'', disse.
Apesar da empresa pioneira reunir apenas três cafeicultores, Ricardo adiantou que a intenção é criar uma associação para disseminar a nova idéia. ''Queremos atingir todos os produtores de café para fortalecer e profissionalizar a atividade. Estamos lançando um novo conceito'', comentou.
Serviço: O VeroCafé estará disponível ao consumidor a partir de janeiro, em supermercados e mercearias de Curitiba, Norte do Paraná e São Paulo.

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