Um inimigo subproduto do homem
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de novembro de 2000
Jota Oliveira De Londrina 
Além de destruir cerca de 20% da produção mundial de trigo e arroz (dados da Bayer), os roedores transmitem mais de 20 doenças ao homem, entre elas a peste que matou milhões de pessoas na Europa e na Ásia no Séxulo XIV; a leptospirose e o hantavirus, transmitidos por roedores silvestres não há informações de veiculação por ratos domésticos.
O problema é tão grave que a Prefeitura de São Paulo, Capital, instituiu 10 de junho como o Dia Municipal de Combate ao Rato. O cartaz da primeira campanha mostrava uma ratazana (rato-de-esgoto), isto é, o bicho como ele é: feio, furtivo, ameaçador, tentando esconder-se nas sombras. Ao contrário dos ratos de gibis e desenhos animados (Supermouse, Jerry, Mickey), heróis sempre atormentando a vida dos seus maiores inimigos, os gatos (Tom). E quem dá boa vida aos ratos somos nós, ao lhe fornecermos alimento, habitaçâo e água.
Danos econômicos e sanitáriosAlém dos 20% de trigo e arroz, os ratos destróem partes de outras lavouras, como soja, cana-de-açúcar, cevada, algodão e milho. Todo ano os roedores causam no mundo prejuízos de US$20 bilhões. Além disso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) calcula que 20 diferentes espécies de patógenos são portados pelos ratos. Os roedores são, portanto, transmissores em potencial de uma série de doenças, tanto ao homem (zoonoses) como a outras espécies animais.
Os ratos transmitem doenças através de mordidas, dejetos fecais, urina ou das pulgas que os parasitam. As doenças mais comuns transmitidas por esses animais são as febras tifóides, o tifo, a peste, a leptospirose e o hantavirus, descoberto pela primeira vez nos anos 50s, ao infectar soldados norte-americanos que combatiam na Coréia, nas matas próximas do rio Hanta, do qual surgiu o nome dessa doença que tem ultimamente vitimado trabalhadores em reflorestamentos, pescadores que varrem ranchos há muito tempo fechados e levantam, na varreduraa, poeira de fezes de roedores. Estes costumam visitar os ranchos em busca de comida e/ou abrigo. Pelo mesmo motivo e até por terem mais contatos com os dejetos dos rodedores silvestres, os trabalhadores em reflorestamentos têm sido vitimados no Paraná.
Sexta-feira, dia 17/11, o repórter Émerson Cervi, de Curitiba, relatava na Folha de Londrina-Folha do Paraná que o desmatamento no Sul do Estado pode ser um dos principais fatores do aumento do número de casos de hantavirus, que só é transmitido pelos roedores silvestres, quando homem inala poeira de fezes ou tem contato com a urina dos animais. Por isso, uma das recomendações para afastar os roedores, é não deixar restos de comida dentro de casa. Outra, é guardar a ração animal em local apropriado.
Imundície antigaAinda hoje muitas pessoas, no campo ou na cidade, não têm cuidados de higiene. O paleoescatologista (paleontologista que estuda excrementos antigos, à procura de hábitos alimentares e doenças humanas e de animias de séculos atrás) Andrew Jones descobriu que a cidade de York, na Inglaterra, fora construída sobre três metros de detritos de povoamento anterior. Jones conta que no Século XIV o rei Eduardo III, ao visitar aquela cidde, ficara horrorizado com o cheiro (abominável) de fezes, esterco e outras imundícies e sujeiras, piores do que os existentes em qualquer outra cidade do reino. Em suas pesquisas Jones constatou, por sua vez, que nos restos das casas dos vikings na Inglaterra, o chão era coberto de uma mistura de excrementos de ratos.


