Um importante aliado no trabalho
O treinador Francisco Carlos Taboga, um dos poucos que ainda preparam cães para o trabalho em fazendas, acredita que a falta de conhecimento da ajuda que este animal pode proporcionar ao manejo dos bovinos fez com que a figura do cão boiadeiro fosse desaparecendo das propriedades rurais. Quando bem treinado, ele só facilita o trabalho do peão.
Taboga trabalha também com adestramento de equinos de apartação da raça quarto-de-milha. Ele é treinador na Fazenda Berrante, em Assis (SP). Segundo ele, parece haver interesse para a retomada do uso do cão em trabalhos nas propriedades rurais. O número de interessados no treinamento de cães tem crescido. Há boa procura por animais para o serviço em propriedades rurais do interior de São Paulo e também no Mato Grosso do Sul, principalmente em grandes extensões, onda a figura do cão ajuda na apartação de bovinos.
A filosofia de treinamento, segundo Taboga, é mais ou menos a mesma para cavalos e cachorros. Com 6 a 8 meses solta-se o cachorro com 4 ou 5 ovelhas, para observar as atitudes do cão. O fato de correr em volta dos animais é automático, analisa Taboga. O treinador, segundo ele, com o comando da voz vai impondo os limites para o cachorro e agradece seu trabalho. Não se deve nunca soltar o cachorro no meio do pasto sem impor algum limite para ele.
Desde cedo Taboga trabalha com duas raças de cães: a border collie e a kelp, ambas importadas. O início do treinamento com o cão se dá a partir dos 10 meses a 1 ano de idade. O treinamento dura de 4 a 5 meses. Mas, lembra Taboga, mesmo depois de crescido, o cachorro tem que estar em constante treinamento. Além do treinamento é necessário que a pessoa que vá trabalhar com o cão tenha boa vontade e saiba como conduzir o animal. Muita gente acha que é só soltá-lo no pasto. Sem treinamento ele acaba atrapalhando mesmo, avisa.
Um cachorro bem treinado pode fazer o serviço de até 4 homens, afirma Taboga. Num lote de 100 cabeças, por exemplo, um peão a cavalo e mais dois cachorros são suficientes para controlar bem todo o rebanho. Neste caso o cachorro tem o papel de trazer o gado, guiar, dirigir o rebanho. Já há um instinto natural da raça utilizada, de correr ao redor de alguma coisa. Com o treinamento o cão é condicionado a agrupar o gado. Num caminho de 180 graus o cão fica de um lado do rebanho enquanto o peão fica do outro lado. Diante de um cachorro bem treinado o bovino ou a ovelha aceitam as ordens.
No passado O pecuarista Humberto de Barros Filho lembra-se de ver muitos cães boiadeiros guiando gado tangido, na sua infância. Segundo ele, no Paraná o uso dos cães foi mais comum na época em que o transporte do gado era feito apenas via terrestre.
O cão, neste caso, guardava o rebanho e ajudava no resgate de uma ou outra cabeça de boi que se aventurava pela mata. O cachorro, relembra Humberto Barros, foi muito usado há 30 anos, no começo das formações de pastagens do Estado, para segurar os animais mais ligeiros. Hoje a mansidão dos bovinos e a falta de novas fronteiras para abrir, segundo Barros, afastou o cão do manejo com o gado.
Segurança Leão da Veiga Garcia, de Londrina, trabalha com adestramento de cães há 20 anos. Os clientes mais comuns são pessoas que desejam ter animal apto para obediência, ataque e defesa, ou o chamado cão-de-guarda. O cachorro treinado para a guarda de residências ou indústrias no meio urbano, pode também servir ao trabalho na fazenda, cuidando de galpões de máquinas e de insumos agrícolas. Tudo depende de treinamento. Segundo Garcia é importante que o cão se familiarize com os funcionários da propriedade. A obediência será conseguida através do treinamento.





