O uso de dejetos de animais para a produção de energia tem sido uma opção crescente para a geração de biogás. Esse tipo de biomassa tem garantido a produtores de suínos e aves a obtenção de uma fonte barata e eficaz de energia, além de acabar com um problema antigo, que é o descarte inadequado dos resíduos produzidos pelas granjas. Marcelo Dias Lopes, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), explica que o investimento para a construção de um biodigestor varia de R$ 200 mil a R$ 400 mil, dependendo da quantidade de animais. ''Um plantel superior a 500 animais por propriedade já compensa o investimento'', sublinha.
Por meio do programa ABC, Lopes afirma que muitos produtores têm obtido crédito para implantar o sistema. ''A não implantação de um biodigestor em uma propriedade faz com que o produtor desperdice dinheiro e energia que ele pode obter com os dejetos'', assinala. Lopes acrescenta que ainda há muitos suinocultores que jogam os excrementos diretamente na lavoura que, sem a devida maturação, pode trazer contaminação para o meio ambiente. ''A adesão à produção de biogás é uma tendência, mas é preciso que o processo tenha viabilidade econômica para ser adotado em massa'', observa.
Com um plantel de mais de 300 mil matrizes de suínos, o Paraná chega a produzir 600 mil toneladas de dejetos por ano. Em todo o País, são produzidos 3,5 milhões de toneladas de fezes, a um plantel de 1,6 milhões de matrizes. ''O Paraná se destaca no processo de produção de bioenergia porque é um dos únicos estados a ter autorização de venda de energia para redes de distribuição, negociando diretamente com a Copel'', assinala.
Parceria energética
A Itaipu Binacional, em parceria com instituições de pesquisas e empresas parceiras, desenvolve na região de Foz do Iguaçu (Oeste) um projeto de produção de biogás com produtores no entorno da hidrelétrica. Cícero Bley, superintendente de energias renováveis da Itaipu, explica que os trabalhos começaram em 2006. ''Naquela época os dejetos dos produtores de suínos da região eram jogados diretamente no lago, trazendo poluição e problemas para as turbinas da usina'', conta.
Para acabar com esse problema, a empresa reuniu 33 pequenos produtores da região e firmou um acordo para a construção de um biodigestor para cada propriedade, todos interligados a uma central que transforma o biogás em energia elétrica. Com uma produção de mil metros cúbicos de biogás por dia, os suínos são responsáveis pela geração de 250 megawatts por dia, dando para movimentar uma pequena cidade. ''O agronegócio precisa ver a eficiência energética que a biomassa pode trazer'', destaca Bley.
Segundo ele, o processo de crescimento de adesão pela biomassa é irreversível. Porém, afirma Bley, ainda há uma certa desconfiança quanto ao uso desse tipo de energia. ''Foi a mesma coisa que aconteceu com o etanol, que hoje está consolidado'', explica. O superintendente acrescenta que o biogás pode ser utilizado em fontes de energias elétricas ou térmicas, e também em automóveis. (R.M.)

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