Um entusiasta da roça. É com tal definição que o produtor de grãos Antonio de Oliveira Sampaio explica sua relação com a terra. Nada incomum, se não se tratasse de um engenheiro civil, com mestrado na Inglaterra, que deixou uma construtora para tocar os 1.030 hectares de uma fazenda, comprada pelo seu avô em 1922. Desde 1986 à frente das terras da família, Sampaio tem o perfil do bom produtor: vislumbra a produtividade, a inovação tecnológica e os cuidados com o solo.
Nestes poucos mais de 20 anos tocando a fazenda, o agricultor viu a produtividade do milho e da soja dobrar na propriedade. Hoje, ele colhe por safra, uma média de 58 sacos de soja por hectare, além de 165 de milho, números que abaixo disso ele considera ''uma calamidade''. ''Dos meus quatro irmãos, apenas eu optei pela agricultura. Acho mesmo que é uma questão de vocação. Quando meu pai ficou incapacitado de cuidar da fazenda, acabei assumindo e implantando novas tecnologias'', relembra.
A técnica de plantio direto é realizada desde 1975, sempre com rotação de cultura. O produtor faz questão de sempre implantar na fazenda o que há de mais inovador. ''O que realmente satisfaz o produtor é o resultado, a produtividade. Prefiro produzir mais e vender barato do que o contrário. Acho que é por aí que a gente vê quem realmente gosta da terra'', avalia Sampaio.
Para conseguir aliar a inovação tecnológica com a parte admnistrativa, há cerca de dez anos Oliveira trabalha com uma consultoria técnica especializada. ''Como estou na administração do negócio, comprando, vendendo, pagando contas e avaliando o mercado futuro, senti a necessidade de contratar uma consultoria. Eu acredito na tecnologia, não posso abrir mão desse serviço.''
Independentemente de todo suporte que a propriedade possui, Sampaio não deixa cuidar de detalhes importantes. A adubação é sempre voltada para o tratamento do solo, e não para a cultura em questão, além dos cuidados com agrotóxicos. ''Adubamos uma cultura para sobrar nutrientes para a outra; agrotóxicos com tarja vermelha só em último caso.''
Sampaio faz questão que seus funcionários façam cursos de aperfeiçoamento na área, e já possui alguns empregados formados em técnico agrícola. ''Quero que eles tenham informação, por isso pago cursos de atualização. Prefiro ter menos pessoas ganhando bem, do que um 'exército' de mal pagos'', comenta com convicção.
Se nenhum dos irmãos de Sampaio optou pela profissão de produtor, dois de seus três filhos não vão deixar a terra sem uma boa sucessão familiar. Um deles é formado em agronomia e o mais novo está cursando. ''Mas nenhum deles trabalha na propriedade, trabalham de empregados em outras empresas. Sem dúvida, os salários deles são maiores do que se trabalhassem comigo'', brinca.

mockup