Um doce para todos os males
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sábado, 12 de novembro de 2005
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
A biodiversidade brasileira faz do mel nacional um dos melhores do mundo. A afirmação é do instrutor do Serviço de Aprendizagem Rural (Senar) e presidente da Associação Paranaense de Apicultores (APA) Sebastião Ramos Gonzaga. Ele conta que as abelhas chegaram ao Brasil em 1839, quando o imperador importou 150 enxames de espécies européias. ''Após quatro meses de viagem pelo Atlântico, apenas oito enxames chegaram intactos ao Brasil'', relembra.
Em São Paulo, recorda Gonzaga, as abelhas chegaram pelo Vale do Paraíba. No Paraná, entraram pelo Vale do Ribeira. Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, as famílias Sommer e Hanemman deram início à apicultura na região. ''A produção de mel é destaque em regiões quentes, onde ainda há cobertura vegetal'', aponta o instrutor.
O instrutor explica que o mel é fruto dos reinos animal e vegetal. ''Quando a abelha suga o néctar, o mel apresenta de 35 a 45 virtudes. Depois de elaborado e amadurecido no favo, o mel já apresenta mais de 181 virtudes'', aponta. Essas virtudes, ressalta, são ferro, manganês, potássio, entre outros sais e vitaminas.
De acordo com o instrutor, o mel de meliponídeos (abelhas nativas sem ferrão) possui até 40% mais virtudes que o mel de apis (abelhas africanizadas). De porte menor, os meliponídeos não apresentam risco à saúde humana, mas perdem em rusticidade para as abelhas com ferrão. A sensibilidade ao frio também é um diferencial, ensina Gonzaga.
''O mel de meliponídeo tem até 30% de umidade, enquanto o mel de apis tem apenas 17%. Esta característica facilita a industrialização, já que o mel precisa ter menos de 19% de umidade para ser embalado'', afirma.
Mesmo perdendo em quantidade as abelhas nativas sem ferrão produzem apenas 2 litros de mel/ano, enquanto as africanizadas produzem até 40 quilos/ano o mel de meliponídeos é exótico e de sabor único, o que garante um preço melhor. ''Hoje, o quilo do mel de abelha com ferrão é comercializado, em média, a R$ 10,00, enquanto apenas 50 gramas do mel de abelha nativa é vendido a R$ 5,00,'', conclui.
Serviço O mel produzido e processado pelo apicultor Jairo Siqueira pode ser encontrado na Casa do Mel, na BR-376, KM 350, no trevo de Ortigueira. Os telefones são (42) 3277-1365/ 3277-1172. Em Londrina há dois postos de venda, no Mercado Shangri-lá (3327-6497) e no Jardim das Flores (3341-2730). Em Ubiratã, procure a APIU pelo telefone (44) 9971-7620. Para comprar mel em Altônia entre em contanto com a Associação Altoniense de Apicultores pelo número (44) 3659-1403.


