A foto que ilustra a prosa de hoje foi feita faz poucos dias, aqui no Norte do Paraná, pelo fotógrafo da FOLHA César Augusto. Se você reparar bem, o homem da foto, um trabalhador rural, carrega nos ombros enxadas. Isso mesmo, enxadas, são duas. Na certa, está dando uma força para algum companheiro que ocupou as mãos com outras coisas, não podendo carregar sua própria enxada.
Agora veja, amigo, que interessante é esse instrumento de trabalho de todos os dias de quem lida com a lavoura. Ao certo, ninguém nunca vai saber dizer quem foi o iluminado que descobriu que uma pedra afiada amarrada à ponta de um pedaço de pau poderia revolver a terra. Mas os arqueólogos sabem que isso aconteceu há muitos e muitos anos, quando ainda éramos homens das cavernas.
Com o tempo, a pedra foi substituída pelo metal. E só, mais nada de tecnologia foi acoplado. Enxada e agricultor nunca mais se separaram depois da invenção dessa ferramenta. É casamento dos mais duradouros que se tem notícia. Ah! E não podemos deixar de falar que ela também serve à construção civil, sendo utilizada para bater concreto e outras atividades.
Aqui no Norte do Paraná, onde a colonização é coisa recente, até há poucos anos era comum uma enxada em todas as casas, mesmo na cidade, onde o grande quintal permitia manter uma horta.
Como tudo evolui muito rapidamente, com celulares pequeninos e computadores potentes fazendo parte da nossa rotina, é claro que elas já não causam calos na mão da maioria dos homens, mas continuam utilíssimas no campo. Há certos trabalhos da enxada que trator com computador de bordo e ar-condicionado não substitui. E têm certas plantas daninhas que são melhor combatidas com ela, por vários fatores, do que com os melhores defensivos.
Assim, um instrumento pré-histórico ainda faz sucesso neste tempo tão moderno, servindo ao homem na produção de alimentos. Coisa interessante, né? Na roça, mais vale uma enxada do que um IPad.
Pra finalizar, vale recordar alguns versos da música ''A caneta e a enxada'', que Capitão Balduíno e Teddy Vieira escreveram e Tonico e Tinoco (entre outros) gravaram. É a resposta da enxada a uma caneta que, julgando-se superior, a despreza por vê-la suja de terra.
''A enxada respondeu: de fato, eu vivo no chão / pra poder dar de comer e vestir o seu patrão / eu vim no mundo primeiro quase no tempo de Adão / se não fosse o meu sustento, ninguém tinha instrução.
H. Ramos Bezerra

A prosa de hoje é uma homenagem a todos os homens da roça, de mãos calejadas, que cuidam da terra com carinho.

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