UM DEDO DE PROSA
(Trecho da palestra imaginária em Dia de Campo, esta semana, no sítio de Antonhadão).
Tema: Terra e ambiente improdutivos atraem pragas
Das plantas daninhas invasoras, a tiririca (Graminiforme, família das ciporáceas) é a mais pegajosa. É de difícil controle. Não adianta aplicar herbicidas nas folhas. Suas raízes têm uma capacidade de rebrota muito rápida. Nas praças e nos quintais das cidades lá está a tiririca. Nas lavouras é menos comum no sistema de plantio direto porque é sufocada pela palhada. Adubos verdes e oleaginosas (mucuna e feijão-de-porco, por exemplo) também evitam a tiririca. As leguminosas ainda enriquecem o solo com nitrogênio, o N da fórmula NPK (nitrogênio, fósforo e potássio).
A palestra ténica continua:
Pesquisas mostram que quanto pior o lugar, mais ele atrai a tiririca. Ambiente edafoclimático ruim favorece a praga. Exemplo: solo muito ácido, improdutivo, precisando de um bom corretivo. Lavoura suja atrai tiririca. Neste ponto, a natureza e os caminhos da vida guardam muita semelhança. Terra arrasada, ambiente ruim, atraem tranqueiras, tiriricas...Neste caso, senhores, recomenda-se não cortar a tiririca, porque pior do que está não fica!
Nesta altura o agrônimo é interrompido por Antonhadão
Calma aí, o amigo vivente está falando de grama ou de política?
É...eu acho que me perdi um pouco. Tenho ficado muito tempo vendo televisão.
Na plateia, o Madruguésio, sempre malicioso, sugere:
Continua, tá ficando bom!
O agrônomo continua:
Há muita semelhança entre o ambiente da tiririca e o novo habitat do agora sua excelência, o Tiririca. Embora a gramínea faça parte do mundo vegetal folhoso, o palhaço Tiririca, uma vez diplomado, passa a fazer parte do reino do Homo Sapiense Perniciosus.
Finalizando, só peço que não confundam as coisas, em respeito à grama. Afinal, ela faz parte do meio natural. Tanto que os ambientalistas não gostam das denominações plantas invasoras ou daninhas. Talvez sejam essas as diferanças entre homem e a gramínea
Até sábado
H. Ramos Bezerra





