UM DEDO DE PROSA
É claro que você vai se lembrar, faz pouco tempo, foi no finalzinho de janeiro e começo de fevereiro, que as águas do Rio das Cinzas e do Laranjinha e dos riachos que desaguam neles subiram barbaridade e fizeram um estrago na zona rural do nosso Norte Pioneiro.
Teve produtor que viu a boiada rodar enchente abaixo sem nada poder fazer. Teve lavoura de soja, vários hectares, literalmente lavados. Casas foram inundadas, pontes destruídas ou interditadas, enfim, prejuízos e mais prejuízos causados pela força das águas dos dois rios mais importantes da região. Reportagem desta FOLHA mostrou que o Laranjinha chegou a ter volume de águas nove vezes acima do normal e o das Cinzas sete.
Pois bem, a tromba d'água passou e os dois rios voltaram a serpentear normalmente, cortando a terra dentro de seus leitos. Eles são verdadeiros tesouros. Além de piscosos - o Laranjinha chega a receber o nome de ''Rio do Peixe'' em algumas regiões - servem de fonte de abastecimento para alguns municípios e irrigam diversas lavouras.
Tudo isso sem falar no encontro das águas dos dois, que se dá em Bandeirantes, a 10 km da zona urbana daquela cidade. É coisa bonita de se ver. O das Cinzas, bem mais largo, desce numa corredeira e tem até uma pequena cachoeira a poucos metros do encontro. Suas águas são barrentas. O Laranjinha corre mais manso, é mais estreito e profundo, com águas negras.
É interessante ver que os dois rios ''não se misturam'' por um longo trecho. Guardadas as devidas proporções, é uma cena muito semelhante ao famoso encontro das águas dos rios Negro e Solimões, lá em Manaus, que dali para frente, até chegar ao Oceano Atlântico, passa a se chamar Rio Amazonas. No caso aqui do Norte Pioneiro paranaense, o Cinzas, já abastecido pelo Laranjinha vai desaguar no Paranapanema, já na divisa com São Paulo.
Ah! mas tem uma coisa que causa tristeza no encontro das nossas águas. O lugar é lindo, mas cheio de sujeira nas margens. Tem maço de cigarro, lata de cerveja, restos de roupas... Que desleixo! Custa aos visitantes recolher a sujeira que levam para a beira do rio? É questão de educação e de princípios! Às vezes é até difícil acreditar que, em pleno ano 2010, ainda tem gente com coragem de jogar sujeira num lugar bonito desse.
Além do mais, está faltando mata ciliar na beira dos dois rios, que são bem largos. Tem lugar sem uma árvore sequer na margem. Gente, vamos nos conscientizar. Depois não adianta chorar quando a água invadir a lavoura e a vaca ir para o brejo.
Wilhan Santin é repórter da FOLHA.





