UM DEDO DE PROSA
Urbanolino amigo, você adora o mel, admira as abelhas e até morre de inveja ao vê-las se embriagando das delícias encontradas no pólen. Você só vê os pingos que elas tomam...não vê os tombos que elas levam. Pois é. Principalmente o tombo do macho. Aliás, excitante queda. Explico: Por capricho da natureza, abelhas são fecundadas em pleno voo. Depois da deliciosa ferroada - no melhor sentido das coisas - o macho morre. Morre e cai das alturas do voo nupcial. É o que se pode chamar de ''queda para o alto''...da glória. As fêmeas, indiferentes para com os que morrem de amores por elas, seguem seu caminho. Já se despojaram do sonho de princesas; são rainhas. Abelhas-rainhas. De volta a colméia, as rainhas são cuidadas por operárias que lhe retiram da vagina os restos dos órgãos genitais do infeliz amante . Infeliz, abelhudo e moribundo.
Rainha prenha, pergunta-se agora como nascem as abelhinhas. Pois fique sabendo que abelhas não nascem. Ou, pelo menos, não nascem abelhas. Abelhas são um inseto (muito, muito útil) que se transformam. Tal metamorfose começa do ovo do cruzamento do macho. Do ovo surgem as larvas, que viram linfas, que viram abelhas...que não faz mal, só faz mel. Delicioso, medicinal, preventivo, curativo...alimento abençoado. Agora que o voo nupcial é de morrer, ah nem te conto.
H. Ramos Bezerra
A prosa de hoje, cheia de humor e sem pretensões, é um protesto contra queimadas, agressões ao ambiente, animais e insetos. Não mate abelhas, mesmo aquelas que rondam o seu quintal. O bicho homem tem que controlar sua voracidade maldosa. Até sábado.





