UM DEDO DE PROSA
Você aí da cidade. Viu a confusão que dá quando falta energia elétrica? De apagão a gente, aqui no campo, não sabe nada. Mas estamos acostumados com os apagõezinhos aqueles pequenos cortes na energia elétrica que acontecem na zona rural. São galhos sobre os fios, postes cansados...
Bem, já deu para ver que hoje em dia o campo tem energia elétrica. Não é de agora, aliás, tem mais de 20 anos.
Mas aqui no campo não temos apagão...temos apagõezinhos eu ia dizendo. Mesmo assim não sinto saudade da lamparina...nem um pouco. Lamparinas eram pequenos recipientes, de lata, cheios de querosene. Um pavio encharcado mantinha a chama que clareava timidamente ao seu redor. Não dava para ler direito à luz da lamparina.
Tudo mudou, mas alguns membros do nosso governo têm cara de lamparina. Quando vejo aquele ministro Lobão falar, eu lembro da lamparina. E quando escuto aquele que não é sogro...é Genro, ah, aí penso logo no pavio curto...da lamparina é claro. Pouco claro, aliás. Acho que as ideias dele são de tempo anterior ao das lamparinas, são do tempo que o Brasil era povoado por vagalumes. ascende e apaga...Acho que o cérebro do ministro sofre de síndrome da baixa voltagem.
Lembrei a lamparina, lembro o lampião, um pouco mais sofisticado. Também movida a querosene, a chama do lampião era protegida por um vidro.
Gente! Lampião tinha camisinha. Era algo que parecia renda. Uma renda incandescente, aumentava a claridade. Era um invólucro encaixado numa lâmpada, revestindo-a.
Que saudade daqueles tempos de lampião.
Mudou tudo. Camisinha hoje é para prevenir outras coisas. Naquele tempo, quando o pai mandava trocar a camisinha (do lampião) o pavio não precisava ficar ereto para encaixar. Não tinha nem lubrificante...
Até sábado,
H. Ramos Bezerra
A prosa de hoje foi inspirada na sugestão de leitor de Jardim Alegre, que ainda mantém uma lamparina, a que clareava os partos que a mãe fazia na redondeza.





