Dias atrás, contei aqui a história de sitiantes do Norte Pioneiro. Para recuperar solos degradados eles teriam de usar máquinas pesadas e equipamentos como escarificador, coisa e tal. Diante da recomendação dos técnicos, disseram que mal podiam manter seus velhos tratores de porte médio. Mas se queixaram que, enquanto isso, os sem-terra sim tinham trator ''traçado''.

Ter um trator daqueles era sonho de todo pequeno agricultor. Apesar dos mais de 50 anos trabalhando ''feitos condenados'', aqueles produtores, simples, não haviam conseguido um. Até pareciam invejosos.

Nesta semana, a imagem de outro trator, de alta potência, destruindo laranjeiras no Estado de São Paulo, me fez lembrar a queixa dos sitiantes. Faz tempo, mas lembrei.

Pensei: o que devem imaginar os sitiantes.

Os militantes daquele movimento de sem-terra chegam e vão destruindo as coisas dos outros com a mesma naturalidade que matariam uma mosca. Recebem muito, muito dinheiro do governo sem ter que prestar contas de nada (porque o dinheiro passa por ONGs que são registradas).

Desta vez, destruíram máquinas e laranjeiras adultas, em produção. Em outras ocasiões abateram gado. Dizem que já abateram animais de raça usados no melhoramento genético. Não escolhem, vão fazendo churrasco.

Eles têm apoio de políticos. Um senador aqui do Paraná, que passa a mão na cabeça deles, reconheceu que eles estão errados, então disse: ''O movimento tem que voltar a sua origem''. A frase não foi exatamente assim. Mas estava querendo dizer que os invasores, no passado, não eram violentos. Não entendi.

Acho que o senador estava se referindo ao tempo em que os invasores ''apenas'' destruíram as ovelhas da Embrapa, numa dessas invasões, lá no Rio Grande do Sul. Faz tempo. Mas o senador, pelo jeito não esqueceu.

O senador não leu - ou já esqueceu - a reportagem da revista Veja no mês passado sobre o movimento.

H.Ramos Bezerra

A conversa de hoje foi uma homenagem aos sitiantes, pequenos fazendeiros gente que mora na propriedade e batalha com dificuldade para enfrentar: o mercado, o clima e assaltos. Mas resistem. Constroem. E não recebem dinheiro fácil.

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