UM DEDO DE PROSA
Que Pé na faixa que nada. Prefiro
Fé em Deus e pé na tábua! Como antigamente. Lindo!
Estão promovendo uma campanha de conscientização para que as pessoas utilizem as faixas de segurança ao atravessar uma rua ou avenida. É para a própria segurança do pedestre, afinal parte dos motoristas brasileiros abusa da imprudência. No caso de Londrina o nome é selvageria. Qualquer mamífero, principalmente os jovens, vira bicho macho ao assumir a direção de um carro. Somos motoristas caipiras.
O nome da campanha é Pé na faixa.
Pois eu prefiro outro mote: prefiro Pé na Tábua. Fé em Deus e pé na tábua! Em primeiro lugar porque essa máxima de Pé na tábua nos remete para os bons tempos: menos carros nas ruas, motoristas mais cuidadosos e menos motocicletas para encher o saco. E os carros eram mais lerdos. Claro que a tecnologia melhorou os freios, mas quem está falhando agora são as cabeças das pessoas.
Essa coisa gostosa de enfiar o pé na tábua se consagrou no meio rural. O cidadão do campo era mais cuidadoso ao tirar o veículo da garagem, sair do carreador da propriedade e ganhar a estrada de chão. Quando pegava o asfalto... pé na tábua. Até porque era um apelo de quem estava no banco traseiro do jeep, na boleia do caminhão ou sobre a carroceria. Era para acelerar, pisar fundo. E o chão do carro não era lata nem alumínio ou aço, era madeira.
Bons tempos aqueles do pé na tábua. Porque eram tempos de amizade, da cortesia. Tempo em que havia gente honesta. Dar carona era um hábito. E pisar fundo não era um estímulo à imprudência, era para voltar cedo para casa. Voltar mais cedo para a família.
H. Ramos Bezerra
A prosa de hoje foi uma homenagem aos motoristas pés na tábua, que não atropelavam, mas, com seus jeeps, camionetas ou caminhões quebravam o galho de quem, à beira da estrada, acenava com a mão pedindo carona. Até porque, naquele tempo, como hoje, o transporte coletivo não tinha o menor respeito para com o usuário.
Até sábado! E pé na tábua!





