UM DEDO DE PROSA
Ah! que pena que dá desse Brasil, que vai sendo devorado em berço explêndido! E que pena desse povo sofrido!
Sabe aquele cartão vermelho que um senador amalucado esfregou nas fuças do comparsa, lá em Brasília? Era tudo de mentirinha. Puro cinismo. E foi sacado com muito atraso (de propósito, para não prejudicar). Ainda assim, foi para a pessoa errada.
É o que todo mundo está falando. Contra o chefão mesmo ninguém sacou nada.
Que cartão, coisa nenhuma! Lá no Senado, usa-se mais o latão vermelho, isto sim. Seria uma espécie de vasilha, só que não para guardar leite, essas coisas líquidas, e sim para esconder o fruto do roubo que se pratica naquela Casa. Eles chamam aquilo de Casa. Não deixa de ser.
Agora, depois que o Chefe mandou largar mão de punir um cumpanheiro aquele das coisas secretas , alguns, da mesma turma, largaram-se atrás do dito cujo, sabendo que tudo era apenas para enfeite. Por quê? Porque ele já estava a salvo e longe, bem longe, pra lá de onde o vento faz a curva. Aliás, aquele planalto é todo curva de rio.
Políticos são assim. Eles vão para aquela Casa, todo enfationado e perfumoso, mas é só pra fazer a infelicidade dos outros. E a felicidade do bolso deles.
Ah! que pena que dá desse Brasil, que vai sendo devorado em berço explêndido! E que pena desse povo sofrido!
Então vamo lá, na farsa, da marcha:
O povo!
comido!
jamais será
unido!
De novo:
O povo! comido!...
H. Ramos Bezerra
A conversa de hoje foi uma encomenda do leitor Aldo Salvador (apelido), de Ribeirão Claro, que recomendou: menos história e mais crítica, para tirar essa canga do pescoço da gente (em referência ao tema de sábado passado).





