UM DEDO DE PROSA
Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil.
Esta frase foi dita mais ou menos em meados do século passado e até virou campanha para controlar as saúvas cortadeiras. Aquele tipo de formiga estava atacando as plantações. Sua extinção dependia de um esforço concentrado. Seria como o mosquito da dengue, hoje.
A formiga fazia muito estrago por causa do seu apetite, sua voracidade, e realmente era uma ameaça.
Dias atrás, um leitor da FOLHA, inconformado com a corrupção lá em Brasília, resolve comparar os malefícios da saúva com a nocividade dos políticos. E sugere: Que tal uma campanha assim:
Ou o Brasil acaba com os Sarneys ou os Sarneys acabam com o Brasil?
Antonhadão, um agricultor irônico e bem informado, resolve me telefonar.
H. Ramos Bezerra, tem duas coisas erradas, nessa carta que saiu na FOLHA. Você leu?
Eu logo percebo que é gozação, fico esperto, mas pergunto: o que está errado?
E Antonhadão pergunta: Seu telefone não tá grampeado?
Vai, Antonhadão, fala logo. Telefone grampeado... Oh as conversa, dele!
Ele resolve falar:
Em primeiro lugar, as saúvas foram controladas bem rápido, assim de uma safra pra outra. Mas veja bem, elas não tinham um Presidente para protegê-las, certo?
Certo. E a outra coisa? pergunto.
A outra coisa errada está na cara!
No bigode, você quer dizer...
Veja, Bezerra. As formiga não merece essa comparação. Formiga trabalha, sujeito! Ela vira nossa inimiga quando ataca as plantas. Agora formiga é um símbolo do trabalho. Elas são obreira, são incansáveis.
Tá bom Antonhadão.
E daí?
Daí que o cara me faz uma comparação dessas. Assim ele mata todo o formigueiro de raiva ou de vergonha.
H. Ramos Bezerra





