O que você prefere? A história de um bote rústico, movido a remo, navegando o remanso da represa Capivara... ou um bote de cobra, daquelas que ficam enrodilhadas à beira da trilha, prontas para atacar?

Seguinte: Eu conto quase tudo e você escolhe o final. Ou cai no conto do bote

Oh as conversa!

Antonhadão sai de Astorga para ver Corinthians e Palmeiras, em Presidente Prudente. Pela estrada aprecia lindos campos de trigo compondo um cenário de lombadas verdejantes. Imagina que, visto de cima, num avião, aquilo parece um tapete. Enquanto isso, no rádio, Antonhadão escuta falar de outro ''tapete verde'', o gramado do campo de futebol. (Locutor esportivo refere-se ao gramado como um tapete verde).

Ao chegar na divisa com ''Sumpaulo'' Antonhadão não aguenta mais. Bexiga quase estourando, ele para o carro na cabeceira da ponte, atravessa a cerca e se esconde atrás de uma moita de capim colonião. Descobre que não era só xixi.

Então, estava lá acocorado quando o radinho falava do gordo Ronaldo fenômeno. Como palmeirense, logo lhe vem à mente um mau agouro:

- Não vai jogar nem o 1º tempo completo; esse aí, coitado, não aguenta o carreirão de uma vaca.

Vacas?!

A uns 50 metros do seu ''toalete'', dezenas de vacas ruminam a grama ainda com gotículas de orvalho. O gado folga numa aparente mansidão ingênua. Até que uma novilha se espanta. Pronto. É o estouro da boiada na direção de Antonhadão. Calça pela metade das pernas, ele olha para traz e já sente o bafo dos bichos. É inverno e sai fumaça pelas narinas do gado. Antonhadão tenta subir num pé de goiaba que verga e ele vai ao chão. Corre mais um pouco e chega à barranca do rio Paranapanema. Ufa!

Aí ele pensa: vou mergulhar. O nome do lugar é Porto Capim, mas se esse gado maldito quiser capim eu quero água. Mais uma olhada e descobre que o gado é nelore. Com nelore não se brinca.

O lago é imenso. Dá para escolher o lugar para pular. Aliviado, nosso personagem prepara-se para um mergulho. E comemora antecipado: ''Essas vacas vão morrer de inveja''

Mas ainda não era o momento do pulo triunfal. Nas águas calmas da represa ele ia dando de cara com uma sucuri, pronta para... pronta para dar...

- Para dar o bote! Você completa.

E eu lhe digo:

- Pois não é que Antonhadão pega o bote emprestado da cobra e dá adeusinho para as vacas!

H. Ramos Bezerra

A prosa de hoje foi uma homenagem aos nossos leitores do Vale do Paranapanema e aos paulistas, do lado de lá do rio.

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