UM DEDO DE PROSA
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
A prosa é terapêutica. E o povo do campo, com sabedoria e jeitinho simples, parece concordar com a definição
Pode falar a verdade, cumpadre, hoje em dia a palavra estressado anda na moda nas cidades grandes. É ou não é? Todo mundo diz que não tem tempo pra nada, que tá corrido, que é preocupação demais para a cabeça. Parar um pouco para jogar conversa fora nem pensar.
Mas o engraçado é que quando a gente vai falar com o povo do campo as coisas mudam de figura. Veja só, preocupação não falta para a cabeça do agricultor: os insumos tão custando muito, chove menos que o necessário... Porém, quem mexe com a terra parece saber o valor de um dedo de prosa e logo arrasta a cadeira quando há o convite para o papo. Eu não sou médico, mas pode perguntar para qualquer doutor se essa troca de ideia não é um santo remédio. Deve ser por isso que o povo do sítio muitas vezes nem sabe o que é o tal do estresse.
Nas minhas andanças de repórter, foi com gente da roça que encontrei as melhores conversas. Uma que tive nesta semana para a reportagem do Dia do Trabalhador é que acabou inspirando a prosa de hoje. Estou falando do Nelson Rodrigues Tavares, 75 anos, que mora em Cambé e cuida de uma roça de café em Rolândia. O homem é madrugador, levanta muito antes do galo cantar, enfrenta ônibus e muita caminhada para chegar na roça de café da qual zela. Quando convidei-o para dar entrevista às 6 da manhã, no ponto de ônibus topou na hora.
Contou sua sina com uma tranquilidade de dar gosto. Esticamos o papo... E não é que o coletivo do seu Nelson já tava deixando ele para trás e ele continuava a conversa. Quase perde o ônibus em nome do bom papo. Outro papo memorável que tive foi com o Gabriel Cardoso dos Santos, 90, o dono do Sítio Sport Club Corinthians Paulista, de Astorga, matéria que foi publicada aqui mesmo na FOLHA RURAL. Lembra?
Pode até parecer bobagem, mas a prosa, para mim, é terapêutica. E o povo do campo, com sabedoria e jeitinho simples, parece concordar com este repórter que é um caipira da cidade. Saber ouvir e falar na medida certa é uma arte. Cultive-a.
Para finalizar, não podemos deixar de dar o parabéns pelo dia do trabalhador apesar de um pouquinho atrasado para você, que amigo da terra que é, ajudou a impulsionar o crescimento do nosso Brasilzão. Em mais de 500 anos de história do nosso país, a labuta de quem rala no campo rendeu muita a riqueza para a nossa nação. Agradecido pela prosa!


