UM DEDO DE PROSA
Que o serviço público não se preocupa com a proteção dos animais não é novidade. No Brasil não se protege nem as pessoas, como esperar que cuidem dos animais.
Mas sempre surgem reclamações. O que é bom, porque mostra o inconformismo da sociedade. Do que estamos falando. Mais uma vez, estamos falando de tortura aos animais que puxam carroças.
A reclamação desta vez vem de Apucarana e diz mais ou menos o seguinte, de uma cena vista em Londrina:
A pobre da égua, magra e com sinais de agressão ou feridas provocadas pelos equipamentos, tentava no maior esforço alcançar a água de enxurrada parada no canto do meio-fio da rua. Com rédeas curtas, ela não alcançaria a água mas, mesmo assim, o carroceiro deu-lhe um tranco, puxando com força a rédea que já estava apertada. O animal se encolheu numa reação típica de quem esperava algumas pancadas, ou seja, deu a entender tratar-se de animal submetido a maus tratos constantes.
Em Arapongas, Apucarana, Maringá e Londrina, principalmente em Londrina, os animais são torturados pelos seus donos. Tudo bem que a vida dessa gente não é nada fácil, mas será que descontar sua revolta nos animais vai resolver?
Infelizmente não há ninguém para orientar essas pessoas. São os catadores de papel que trabalham à noite, outros fazem frete durante o dia. O animal, quando não apanha muito, fica parado o dia inteiro, inerte, às vezes sob sol e chuva, com aquela parafernália sobre o corpo. Mesmo parado não está descansando.
Já que órgãos públicos e ONGs não se mexem, fica uma sugestão: que tal se os vestibulandos de veterinária se juntarem e no lugar do trote fizerem uma visita aos carroceiros transmitindo-lhes orientações mínimas sobre manejo? Ensinar, por exemplo, que animal foi feito para trabalhar, não para sangrar na rua ou morrer de fome.





