‘Se Dom Albano, que é inteligente, fala do Madruguésio, eu também vou falar.
Vou falar bem’

Dom Albano Cavallin, Arcebispo Emérito de Londrina, fez referências ao personagem Madruguésio, semanas atrás, aqui na FOLHA DE LONDRINA. Se Dom Albano - do alto da sua experiência em povo, intelectual e bom conselheiro - gosta das mensagens do Madruguésio, eu estou certo em continuar gostando. Até porque o arcebispo é uma liderança e andou empenhado em resolver problemas fundiários, mas sempre procurando justiça.
Portanto, se ele gosta, eu também gosto. Eu e muita gente que percebe a sutileza do recado Madruga. Ele representa os que mais sofrem nessa política agrícola
meio biruta.
Madruguésio é pequeno, trabalha por todos e é quem mais sofre. Sim os Madruguéios desse Brasil caboclo estão no intermediário.
Como assim? Sabe aquele sitiante que vai ao banco e lhe exigem toda espécie de garantia para financiar
alguma coisa?
Pois é, o fazendeiro rico tem cacife e sempre encontra recursos para investir numa cerca, máquina ou num utilitário novo, ou ainda para custear a safra. Os assentados recebem ajuda financeira e política do governo que os apóia. Até os invasores
recebem apoio.
Já o sitiante - que é um ‘‘sem financiamento’’, ‘‘sem adubo’’, ‘‘sem assistência’’ está numa faixa que não conta
com ninguém.
Por isso Madruguésio se tornou o caipira politizado, esperto, irônico. Ele é homem de fé - assim como Dom Albano - mas, às vezes, se mostra descrente com as coisas dos homens, ou seja, dos governos.
Muita gente critica o Madruguésio...
‘‘um insatisfeito’’.
Mas eu, eu mesmo quero morrer de bem com ele. Tem uma língua ferina!
H.Ramos Bezerra
Vivente dos bons, cabra tocadô de viola, contadô de hitória e...amigo do Madruguésio.

mockup