UM DEDO DE PROSA
O governo fala demais sobre safras recorde. Com tanta certeza, dá impressão que Lula está em cima de um trator fazendo tudo sozinho. E com um torneirinha na mão para regular a chuva
De novo, o governo falando de produção agrícola. Prevendo maravilhas. Está na imprensa.
O governo tem hábito de antecipar resultado de safras que não foram nem plantadas. Está sempre enxergando uma safra recorde.
Os técnicos do governo não têm idéia do prejuízo que essas notícias ufanistas causam ao produtor. Tais previsões - sujeitas a chuvas e secas - só servem para derrubar os preços dos produtos. Mas isto não é o pior porque logo a verdade vem à tona e todos vão ver que não há produção sobrando. Em geral, verdade estatística só chega quando as indústrias já especularam em cima de um excesso de oferta que depois não se confirma. Mas que a esta altura já derrubou os preços.
Caramba! o governo não aprende. Ou não colabora.
Os custos de produção estão nas nuvens. Em parte isto se deve às notícias antecipando safras abundantes. Pensam que o setor vai nadar em dinheiro.
Então, sobem os insumos da safra seguinte. Também aumentam os preços dos equipamentos. Todos querem tirar uma casquinha, como dizem os técnicos de áreas de consultoria.
Vejam a informação de uma agência de notícias:
SAFRA RECORDE - O Ministério da Agricultura espera novo recorde na produção agrícola, de 144,6 milhões de toneladas. Pode ocorrer, já que estimativas privadas indicam crescimento de área ainda maior do que a do governo para produtos importantes como a soja.
Pô, será que alguém perguntou a São Pedro se o tempo vai ajudar? E se houver uma estiagem? E se houver excesso de chuvas?
Tudo isso, gente, para não falar da crise. Vem uma recessão mundial por ai. Pode mexer com as exportações, certo? Tudo vai estourar em 2009.
Tudo, por enquanto, é exagero, são conjecturas pessimistas. Há muita gordura a ser queimada no setor. Mas não se pode afastar que 2009 não será igual. E então: adianta safra recorde. Vamos parar de alarido, de
querer tirar proveito de tudo.
H.R. Bezerra
Até sabado.





