‘Se depender do governo, o campo se transformará em deserto estéril e
palco de luta armada. Mas, antes da hecatombe, o filho do sitiante pode virar
o jogo’


Se depender de políticas do governo, nossos campos verdes e produtivos viram deserto. Antes, vão passar por outro processo: de celeiros de alimentos, se transformarão em palco de disputa sangrenta, guerrilha etc. Não falo deste governo; falo de todos. É claro que nos últimos anos as coisas pioraram.
A política agrícola ainda contém componentes ideológicos. Quem decide seus rumos ainda vê o campo sob o domínio da oligarquia rural. Não enxergam as transformações e a função social do setor como gerador/distribuidor de riquezas. Demonstram ter raiva do agronegócio e não têm simpatia pela propriedade privada.
Mas há motivos para esperanças. Política à parte, vai triunfar no campo quem conseguir enxergar que a solução pode brotar na família, nos cursos técnicos. Quem conseguir enxergar que está sentado em cima de ouro. Aliás, o solo é muito mais que ouro porque é alimento, é água, é um conjunto de coisas sagradas que dão forma à sobrevivência.
Dias atrás, um leitor me disse: estou vendo uma providencial correção de rumos. Estou vendo famílias do campo mandando os filhos fazer cursos de tecnologia da produção. Esses vão voltar e serão agentes de mudanças.
Lembrou que há alguns anos, o filho do sitiante começou a se orgulhar da sua origem;
Lembrou aqueles rostinhos lindos das irmãs Graziele e Suelen Pontello, de Ubiratã, pilotando uma colheitadeira.
Lembrou que centenas de filhos de assentados podem ser potenciais proprietários de lotes de terra, e têm o direito de progredir.
Citou cenas da novela ‘O Pantanal’ em que dois irmãos que moram numa capital pressionam o pai porque querem assumir uma fazenda em Mato Grosso; querem aprender a lidar com gado.
E lembrou os cursos do Senar que preparam o pequeno produtor, seu filho e empregados para a gerência do negócio.
Dá ou não dá para ter esperança?
H. Ramos Bezerra
A prosa de hoje foi inspirada numa análise otimista sobre o futuro do agronegócio da porteira para dentro, no sítio, na fazenda ou no assentamento.

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