A cena é esta: as autoridades usam as leis da impunidade, o comodismo e a omissão para amarrar as famílias. Então os bandidos chegam e levam nosso patrimônio, nossas ferramentas e a nossa história. O que você pensa disso?

Você já parou para pensar quanto tempo uma família precisa para, digamos, ‘‘equipar’’ sua casa ou sua propriedade?
No caso da zona rural, quantas colheitas são necessárias para construir uma ponte, uma tulha ou para dividir o pasto em piquetes?
Investimentos, certamente, precisam do saldo acumulado de muitas safras. O sacrifício não é menor para adquirir um trator, ainda que financiado. Da compra de uma enxada, que seja, ou da montagem de uma porteira até a aquisição do primeiro trator. Tudo, mas tudo mesmo, exige muito trabalho.
Repito: muito suor durante 10, 20 ou 30 anos. Tudo tem sua história: o primeiro trator, o caminhão. Mais do que patrimônio, são ferramentas de trabalho; mais do que ferramentas de trabalho, são objetos digamos íntimos de todos os dias e cuidados com carinho.
E em poucas horas você perde tudo. Lá se vão o patrimônio, a ferramenta, a história. Gente! em poucas horas a família perde tudo...perde o chão.
Você aí, tem idéia do estrago que isso faz na vida de uma família?.
Uma madrugada, três ou quatro horas de tortura, arma na cabeça das crianças, braços amarrados. Medo. Humilhação.
Se, por milagre de Deus, a família sai com vida. Menos tristeza. Só que no dia seguinte o trator e outros bens já não estão mais no local. Foram levados de caminhão que possivelmente passou por uma rodovia oficial.
E esses governos populistas que tomaram conta do Brasil?
Primeiro desarmaram o campo. Que democracia vivemos? O plebiscito disse ‘‘não’’ ao desarmamento (apesar de uma campanha manipulada). Depois o resultado não foi respeitado porque a arma está proibida. E além de tirar a arma das pessoas indefesas, deixam as famílias a mercê dos bandidos. Estes sim bem armados.

Até sábado
H. Ramos Bezerra
- A nossa prosa de hoje foi inspirada no silêncio das vítimas de assalto na zona rural. Algumas não queriam sequer registrar queixa na Polícia. Pensando bem,
que diferença faz.

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