Saiu nos jornais, dias atrás: ''Agricultor tem que agir igual a um piloto de Fórmula-1''.
Como assim? Por que? Porque o clima varia muito e isto tem que ser considerado. Temos que nos adaptar à natureza e não o contrário.
Foi com esse pensamento que um diretor da Confederação da Agricultura usou a comparação. De fato, temos que ter a mesma capacidade de adaptação que um piloto de corrida, que troca de pneus no meio da prova, se as condições da pista (do tempo) exigirem. E trocar rápido.
Aliás, para o agricultor mudanças não são problema. O problema é que a cada mudança há uma puxada de tapete e ele não tem segurança alguma: muda o tempo, que ele não pode controlar mas tira de letra. Muda o mercado, que também não depende dele. E há outras mudanças de regras no meio do jogo, como o crédito e a política agrícola, por exemplo.
Para quem enfrenta tantos fatores que não controla, seria bom que pelo menos o crédito não mudasse tanto. Ele aparece e some ao sabor dos bancos.
E seria bom que leis ambientais também fossem elaboradas por técnicos realistas e que fossem essencialmente técnicas, com preocupações ambientais (radicais inclusive). Mas, por favor, que não fossem ideológicas. Importante: que fossem cumpridas por todos, do arrendatário ao fazendeiro; e que não poupassem assentamentos e invasões.
Mas vamos voltar à comparação com a Fórmula 1. O agronegócio até tem um jeito rápido de ser... lá no campo.
Agora será que da porteira para fora é possível fazer tudo rápido?
Se depender de quem toca a coisa antes da porteira (plantando rápido, colhendo rápido e repassando, rapidamente, a riqueza para outros setores da economia) não há problema. A agropecuária é rápida na resposta. Por isso é que a terra é algo abençoado. Porque dá comida todos os dias e distribui fortunas a cada 6 meses, entre uma colheita e outra.
Seu mundo é um circuito de Fórmula-1. Ou de fórmula Truck, no mínimo.
Mas quando depende do setor público... não dá. Aí o comando da prova levanta outra bandeira e suspende a corrida. Não tem pódio, não tem banho de champanha pra ninguém. Não tem alegria. O governo é um piloto que abandona a prova.
Até sábado.

H.Ramos Bezerra
(O papo de hoje foi inspirado no comentário que o agricultor Marcolino G. Silva Brita, de Francisco Beltrão, fez à frase de um diretor da CNA: ''Temos que agir como um piloto de Fórmula 1'').

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