UM DEDO DE PROSA
Preço do fertilizante ia levando João para o buraco. Ele deu um basta. Vele para você também: Pára de adubar a planta com fertilizante mineral e caro. Trate de adubar a terra. Devolva o que você tirou dela.
O dia amanheceu enfarruscado para o ''João da Espora'', aquele mineiro de calcanhar rachado, que veio de Diamantina para a região de Paranavaí. Nada deu certo na véspera, a começar do mercado de suínos, que desabou. E ele, então, aproveitou para tomar uma série de decisões. Queria se livrar de algumas situações, algumas amarras. Uma delas era o manejo da lavoura.
A idéia que João trouxe de Minas era plantar milho ''posporco'' e vender os bichos gordos e em pé (peso vivos). Para engordar os porcos enchia a propriedade de milho.
Costumava dizer: O ''capado'', a gente tem que vender gordo e liso, prá conseguir o preço certo.
O ''preço certo'' João da Espora até conseguia. Mas o preço justo, nunca. Até hoje o povo do campo acostuma dizer que o ''certo'' nem sempre é o ''justo'', em matéria de mercado.
Mas ele logo evoluiu e os porcos deixaram de ser vendidos em pé. Passou a vendê-los limpo, picado e, mais tarde, defumado.
Deu certo.
João da Espora, só não conseguiu solução para o milho, ou melhor: o custo do milho.
Terra cada vez mais fraca exigia doses de fertilizantes cada vez mais caras, como hoje em que o lucro da lavoura está sendo repassado para as multinacionais dos fertilizantes.
E é justamente neste ponto que queremos chegar.
Como João da Espora, é hora de pensar. Até hoje os órgãos de govero - e muito mais do que eles, as cooperativas - ensinaram adubar a planta. Todo ano você gasta uma fortuna em insumos.
Não estaria na hora de adubar a terra? A que preço você consegue a produtividade ideal? Jogando todo ano toneladas e mais toneladas de fertilizantes químicos.
A história de João ilustra uma realidade que a agricultura está vivendo agora. Não adianta gritar. Você tem que acostumar a terra de outro jeito, com manejo do solo. Se não daqui a mais alguns anos você vai adubar a areia. E areia não pede adubo, não pede (e não quer) plantas. Areia é para camelos, como no deserto. O Paraná pode virar um deserto, com ou sem fertilizante.
Até sábado
H. Ramos Bezerra.





