UM DEDO DE PROSA
Os mesmos erros, todos os dias, todos os anos; em todas as atitudes, gestos e ações
''O arrependimento, embora não repare o feito, previne a reincidência''.
A frase, atribuída ao Marquês de Maricah, poderia traduzir a idéia de que as pessoas e suas ações evoluem com seus próprios erros.
Poderia. Mas não é assim. Nem apanhando a gente aprende.
Ainda que você considere um preço alto esse aprendizado - de tentar acertar errando -, nunca seria tarde para mudar o rumo das coisas. E evitar a reincidência, mencionada na frase do Marquês de Maricah.
No Paraná esse conceito passa batido. Além da indiferença diante de distorções tão evidentes, a arrogância das pessoas e das instituições não permite que elas revejam atitudes ou aprendam com seus erros.
Alguns exemplos:
Hoje, com a sociedade mais consciente sobre ambiente, sustentabilidade, etc, não se construiria jamais uma obra como a gigante Itaipu. Não que o País pudesse prescindir da energia gerada pela hidrelétrica. Mas porque a energia seria obtida da conjugação de várias usinas menores, de modo a reduzir o impacto ambiental.
Pelo jeito, o erro (se é que historicamente a sociedade vai ver aquela obra como fruto de erro), não contribuiu com nada.
Por quê? Porque estamos iniciando outra obra de impacto. Embora menor, a Usina de Mauá vai causar impacto ao ambiente. E não é por falta de alerta. São alertas de estudiosos. Não são palpiteiros como alguns dos que combatem os transgênicos para justificar sua omissão com relação ao abuso dos agrotóxicos. Desvio de foco.
Outro exemplo? Nunca se falou tanto sobre um erro histórico com relação ao uso de defensivos agrícolas. Defensivo agrícola, hoje, no Paraná, não é defensivo; é aplicação pura e simples de veneno e, então, o recurso químico passa a ser ''agressivo'' porque agride mais do que defende.
Mas esse assunto já encheu o saco. Foram tantas as denúncias sem resultado, sem qualquer atitude; pelo menos uma única atitude. É como falar para as paredes.
O Brasil todo está assim: indiferente às críticas. Um governo central indiferente às críticas e dando exemplo em profusão. A moda pegou nos Estados. Paraná no meio.
Incrível, mas em um governo de espectro ideológico inclinado totalmente para a esquerda, nunca houve um ambiente tão receptivo aos interesses privados. Pela omissão. Não pelo favorecimento ilícito ou coisa que se assemelhe à corrupção. Com certeza, não. É apenas omissão, desinteresse e falta de compromisso. Não se debate nada em lugar algum. Os exemplos estão aí; citamos apenas dois, bem atuais.
Até sábado.
H. Ramos Bezerra





