UM DEDO DE PROSA
Esteriótipos sobre hábitos do campo colocam comunicadores urbanos na contra-mão da realidade
Os veículos de comunicação: televisão, rádio, as agências de publicidade, etc precisam mudar seus conceitos com relação aos hábitos do campo. O equívoco é total, inclusive nas propagandas direcionadas ao consumidor rural.
A novela líder em audiência mostra um pai que comemora uma grande conquista do filho. Depois de muita insistência, o rapaz já corre campo afora a galope. Superou as dificuldades e o preconceito e já participa da lida. A história expõe bem o ufanismo do pai. Sonho realizado.
O referencial de competência na fazenda é dominar as rédeas e juntar os bois alongados. Até o manejo do gado parece errado.
Ainda que se atribua à licença poética da novela, o esteriótipo sustentado na TV contrasta com a realidade. Assim, ao contrário do que mostra a telinha (um pai de alma lavada porque, finalmente, o filho cavalga pelos pastos), os jovens do agronegócio pensam lá na frente. Falam de gerência, agregação de valor, etc.
Há mais de 20 anos, antes da novela ser escrita, fazendeiros e sitiantes estão mandando os filhos estudar na cidade.
No caso do Paraná a gestão empresarial no campo não é privilégio dos ricos porque há uns 15 anos, cursos do Senar/Faep ensinam contabilidade, ambiente, agroindústria caseira e computação. Os alunos são os filhos de sitiante pobre ou empregados de fazenda.
Quem pode, manda os filhos para fora do País.
E no outro extremo da vertente social, os assentados em geral formam um grupo politizado com discurso ideológico na ponta da lingua.
Portanto, como dizem no futebol (em referência ao fim da hegemonia da malícia e habilidade brasileiras) não tem mais bobos ou ninguém mais é ingênuo.
Por tudo isso, é bom lembrar que essa coisa de cumpadi e nóis vai na festa, etc, só existe mesmo entre os comunicadores, que são urbanos. Cumpadi, minha gente, é só no rádinho de pilha porque o caboclo da roça tem parabólica e telefone celular.
Sábado nois vorta.
H. Ramos Bezerra
Crítica inspirada na
sugestão do leitor Marcos.
J. U. de Oliveira, de Ivaiporã.





