Para ver o lado bom... desligue a televisão!

– Meu pai, o tempo do fio de bigode existiu mesmo?
– Existiu. Por exemplo: o meu avô fechava negócios, emprestava dinheiro aos conhecidos...tudo sem papel. Não era bem assim como as pessoas falam, que o documento era um fio do bigode – que a outra parte (o credor) o levava prá casa e depois devolvia na hora do cumprimento da palavra empenhada. Prá ser bem sincero, acho que isso nunca houve a não ser lá pelos anos de 1800 e alguma coisa. Mas eu penso que até os anos 40 do século passado, a figura emblemática do fio de bigode existiu sim, mesmo que de outra forma.
– Como assim, existiu?
– É fácil entender. O fio de bigode estava na honradez das pessoas, no cumprimento da palavra. Na sinceridade. Na amizade até.
– Mas pai, fica difícil para mim, estudante de direito entender dessa forma, se tudo tem que ser documentado, protocolado. Sem ter um papel assinado para levar o caso à Justiça, como se fazia valer essa ‘‘palavra empenhada?’’.
– De novo, filho. O fio do bigode era força de expressão.
– Entendi, pai, você fala de honestidade, mas hoje em dia nem no papel assinado as pessoas cumprem a palavra. Nem no papel, nem nada...
– Eu sei. É que, por traz da palavra, havia outro conceito regendo a atitude dos homens. Havia uma palavra mágica.
– Como assim?
– VERGONHA NA CARA! Essa é a palavra. Você me perguntou se o tempo do fio de bigode existiu mesmo, tem razão de duvidar porque a desmoralização é tão grande hoje em dia que fica difícil achar que um dia a espécie humana foi diferente.
– Faz o seguinte: dê menos atenção para a imoralidade e as sacanagens que ocorrem em Brasília. Do contrário você vai duvidar até que Deus existe.
– Ah, duvidar de Deus, não...Mas só de Brasília você fala? E as sacanagem do Paraná, Londrina?...
– Também. Mas fique longe dessas notícias para não passar mais raiva e duvidar que existam pessoas honestas. Existe sim! O mundo está cheio de gente séria. É só você olha nóis aqui no interior, comendo poeira. Mas com a consciência leve.
Prosa enviada pelo Herculano A. do Espírito Santo Crespin, de Jardim Alegre
Até sábado.

H. Ramos Bezerra

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