A tal
renegociação
da dívida
acaba
viciando os
grandes.
É uma
mancada!


‘‘Parceiro, vem cá, pensa bem...você tem aí uns 90 alqueires. Eu tenho um pouco mais, mas a gente sofre igual. Essa história de reneciar a dívida não me cheira bem. Primeiro, porque ela é como você passar debaixo de um pé de abacate em tempo de ventania. Segundo: a tal renegociação é só conversa.
Essa proposta do governo e das lideranças da agricultura, passa a idéia de benefício mas não é bem isso. É só para mostrar para a sociedade que estão perdoando dívida dos produtores e ninguém perdoa nada. É uma farsa.
E quem falou que a agricultura precisa desse tipo de favor? Eu, que sou pequeno, não preciso. O que eu peço o governo não me dá. Preciso de seguro agrícola e menos imposto. O resto deixa comigo.
Agora, se há aqueles fazendeirões que se beneficiam da tal renegociação até pode ser; para eles é bom. Mas aí também não é bom porque vicia o caboclo. Se cada vez que o cara atola numa dívida houver renegociação, aí ninguém capricha nem na administração nem no campo, ou nem na máquina de somar nem na semente. E veja bem o nome daquela bichinha que você carrega no bolso é ‘‘máquina de somar’’, não é de dividir nem de subtrair. É mais importante do que o celular...que só serve para patroa saber aonde você anda. Eu, sinceramente, prefiro a máquina (desde que seja de somar) do que esse cabrestinho eletrônico chamado celular.
Mas voltemos à questão da dívida. Não acho nada interessante essa renegociação. E tem mais, se você não tem uma conta gorda no banco, não comprar aquele monte de seguro, aplicações, etc, tudo é mais difícil. Fica complicado do mesmo jeito. Enfim sou contra a renegociação.
- Mas e você, o que você pensa? Só eu falei até agora.
- Eu, de fato só penso, porque falar mesmo só você fala o tempo todo.
- Então até outro dia.
- Até ostordia, como dizia minha tia.
- Até a Exposição de Londrina...

H. Ramos Bezerra

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