UM DEDO DE PROSA
Aparente romantismo esconde uma vida dura cuja rotina é a mesma para
homens e mulheres, patrões e empregados
Repercutiu em todo o Paraná a reportagem sobre as duas irmãs que - sem perder o charme, ternura e a delicadeza feminina - encaram o serviço pesado do campo, ajudando o pai na lida diária. A eficiência da mulher rural está na cozinha, na roça, no escritório da fazenda ou nos acampamentos. Isto já foi dito.
O que a falta à sociedade é a consciência de que a atividade agropecuária ou agropastoril tem características próprias, demanda capricho e dedicação do clarear do dia ao anoitecer. A reportagem com as irmãs Graziele e Suelen mostra também que, atrás daquele aparente romantismo, há uma vida dura, cuja rotina é a mesma para patrão e empregado. Que o trator é o mesmo, que o barro e o carrapicho são os mesmos para todos. E que a outrora exploração do homem pelo homem, deu lugar - graças a Deus - a uma legislação rigorosa. E que a chamada escravidão de pessoas só ocorre onde ou o órgão do governo ou o Sindicato do Trabalhador são permissivos ou omissos.
A vida no campo, por ser rude, é mais solidária. E a propriedade familiar - de que se fala nesse texto - em que pais e filhos dividem as tarefas, é todos os dias purificada. E quando tocada em partilha com empregados, respeitados limites e direitos, merece incentivo. Incentivos e não críticas como já o fizeram membros do governo no seu preconceito em relação ao agronegócio. Porque a produção da matéria-prima, animal ou vegetal, está na ponta da cadeia e é parte integrante do agronegócio. Se há todo um sistema que induz a consumo de tecnologias incorretas é bom saber que o produtor, nesse processo, é apenas vítima e não agente multiplicador ou vetor.
É desejável - e não de todo utópico - que rostinhos rosados ou amorenados, mais delicados ou mais castigados pelo sol; rostinhos de pai-patrão ou pai-empregado se unam para defender o futuro do campo. Porque os efeitos da omissão oficial é comum a todos. E o estrago feito pela exploração industrial também. Que a legislação - sem transigir na defesa do trabalhador - não continue sendo um desagregador a colocar em confronto patrões e empregados, através da sua interpretação unilateral. Porque trabalhadores são todos.





