‘Falar do trabalho da mulher no campo, Prá que? Só se disser que ela é melhor.
Afinal o preconceito só acontece na cidade Na zona rural...tudo é igual’"

Mulher. Na cidade e no campo. Na cidade há uma caipiragem generalizada quando o assunto é a participação da mulher na atividade econômica. Basta uma mulher - na sua natural ascensão profissional - chegar a gerente de uma empresa para virar alvo das atenções. O que poderia ser visto com naturalidade é transformado em fato inusitado. Da mesma forma, se a mulher entrar para o serviço de bombeiros, por exemplo, logo é alvo de comentários. A imprensa, então, é a primeira a considerar aquilo algo raro. Daí até chegar àquela pergunta imbecil, é um pulinho. ‘‘Como você conseguiu chegar a difícil função de bombeiro/a?’’. ‘‘Como você conseguiu romper esssa floresta de preconceito machista?’’. Minha gente, mesmo que a profissional tenha recebido todo apoio dos colegas, um repórter (ou uma repórter) sempre vai fazer aquela pergunta carregada de preconceito. Primeiro, a pergunta sugere que a mulher é incapaz: ‘‘Como isso foi possível...’’. Depois faz o julgamento antecipado: ela teve que romper um grande preconceito.
Mas isso faz parte da nossa cultura machista. Já no campo não. Na zona rural, ninguém estranha o trabalho feminino lado a lado com o trabalho mascuslino. Mulher no campo e na cozinha é algo que não se separa. Sem falar que as mulheres participam sim das decisões. Se o ‘‘chefe’’ da família é inteligente a decisão é da esposa porque a mulher é mais prudente, inteligente e tem aquela intuição que o homem não tem. Tanto que esse espanto quando a mulher é eleita prefeita, ou porque dirige um caminhão, só ocorre na cidade. No campo ela dirige trator, separa e ordenha o gado, faz almoço, cuida das crianças, enfim a rotina é sem limite. Elas estão administrnado negócios da família. Então falar sobre o trabalho da mulher no campo, prá que falar? Só se for assim para dizer que
ela é melhor que os homens. Ou igual, pronto. Ela é igual. Ou melhor: ela é maravilhosa.

H.Ramos Bezerra

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