Ninguém duvida que algumas fazendas foram privilegiadas

Uma semana de confusão depois do embargo da carne brasileira pela União Européia. Sobrou para muita gente. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o ex-ministro da Agricultura, Marcos Vinícios Pratini de Moraes, está sendo acusado de privilegiar alguns exportadores. A história de apenas 300 fazendas no rol dos exportadores não não está sendo ingerida a seco pelos produtores. Se há tratamento privilegiado ninguém duvida.
Mas o governo brasileiro está tomando uma decisão que pode acalmar a crise. É que o Brasil entregou à União Européia uma lista de cerca de 500 fazendas que estariam em condições de exportar carne bovina para o mercado europeu. Até o final da noite de quinta-feira, diplomatas e funcionários do Ministério da Agricultura faziam o possível para reduzir a lista de fazendas. A União Européia indicou ao Brasil que aceitará uma lista de apenas 300 fazendas. O governo espera que até segunda-feira um acordo seja estabelecido entre Brasília e Bruxelas.
A verdade é que o Brasil negocia mal com o exterior. No caso de produtos de origem vegetal e animal não é diferente. O setor diplomático não entende nada de agropecuária e as entidades da agricultura não conhecem suficientemente bem o mercado.
Há muito amadorismo nessa área e é por conta disso que acontecem as trapalhadas.
Agora com essa ação do governo o jeito é esperar e botar fé. Tem um detalhe importante: negociar com a União Européia é jogo duro. A UE faz tudo para dificuldar a entrada de produtos brasileiros. É como a China. Tudo é uma questão comercial. Tudo é jogo de interesse. Três anos atrás a China recebia bem o presidente Lula no aeroporto de Pequim, mas nos portos de Shangai mandava de volta navios com cargas de soja sob alegação que havia contaminação ou que o produto era transgênico. Pô o mundo está comendo produtos da reingenharia genética há mais de 20 anos. Fazer o quê. É o mercado. Embora a desculpa sempre será a barreira sanitária. De mintirinha, é claro. Só no Brasil que se permite a entrada de tudo e de todos.

H.Ramos Bezerra

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