Feliz Natal, sim. Bom princípio de ano...talvez. E o dinheirinho que é bom, está cada vez mais difícil. Os meninos de hoje pedem o ano inteiro e não conseguem tanto.

Leitor de Paranavaí escreveu esta semana para falar da ‘‘diferença espantosa’’ e da saudade do tempo do ‘‘Bom Princípio de Ano’’.
Saudade mesmo! - explica - e quanta diferença! entre aquele tempo e agora, lamenta.
Seguinte: uns 30 anos atrás, a gente saía do sítio - eu levado pelas mãos do meu pai, pois não tinha mais que oito anos - para fazer as compras para passar o Natal e o Ano Novo. Nas esquinas, crianças da minha idade, se aproximavam do nosso jeep e pediam: ‘‘Moço dá Boas Festas?’’. Outros: ‘‘Moço, Bom Princípio de Ano!’’. E os menos atentos ao significado das datas, reduziam o momento na seguinte frase: ‘‘Tio, tem bom princípio de ano aí?’’.
Na maioria das vezes, meu pai dava alguma nota. Eu levava na brincadeira, achando que eram oportunistas no bom sentido, porque pediam para todo mundo. A gente, no sítio, não tinha ‘‘coragem’’ de pedir; ficava acanhado. É só ganhava dos parentes.
Por que os levava na brincadeira? Porque nós, lá no campo, recebíamos - mesmo sem pedir - os tais ‘‘bons princípios de ano’’. Eram dinheiros dados pelas nossas avós, pelos tios, pelos nossos pais.
Não me lembro, sinceramente de pacotes de presentes ao pé da Árvore de Natal. Me lembro do dinheirinho que era dado para ‘‘não gastar’’. Era para juntar. Uma poupança.
É isso. Os meninos da cidade pediam para todo mundo. Mas só pediam nessa época do ano. Embora igualmente pobres, e levando uma vida dura na lavoura, tínhamos lá nossas economias. Todos tinham.
Na cidade não. Nem todos os tios ou tias, ou avós, avôs urbanos podiam dar o ‘‘Feliz Natal’’ ou ‘‘Bom Princípio’’.
Mas todos, nós do campo e os meninos da cidade, tínhamos algo em comum: ao final desses dias de festa a genta parava e contava um bom dinheirinho.
Falei de saudades. E a diferença?
A diferença é que hoje, nas esquinas, vejo as crianças pediram o ano inteiro. Pedem até para quem não tem. E, no final, não contam muito dinheinho porque conseguem uma mixaria.
Feliz Natal, Bom princípio de Ano Novo.

A FOLHA RURAL entra em recesso. Até a próxima.
H. Ramos Bezerra

mockup