UM DEDO DE PROSA
O cabrito - quem diria - sai do piquete do sítio e é promovido a caprino. Carne para a requintada culinária curitibana. E é badalado em festival gastronômico.
Que bacana!
Havia um ditado bem interiorano, bem caboclo mesmo, que dizia o seguinte: Quem cabrito come e cabra não tem... é porque de algum lugar vem!.
O homem do campo, naquelas conversas mansas na beira da cerca que divide as propriedades, alertava o vizinho que sabia das coisas. Sabia do quê? Ora sabia que tinha gente catando cabrito dos outros.
Acontecia mais ou menos nos finais de dezembro, por aí, ou na véspera da Páscoa. Deu para entender?
Catado no pasto dos outros sim. É que, lá no sítio, ninguém rouba nada de ninguém...a gente pega só se tiver no jeito - como explica João Tomázio, padrinho de Crisma dos sete filhos de Madruguésio.
Mas, como ia dizendo: Catado no pasto ou puxado por uma atraente e bela espiga de milho, o cabritinho aparecia.
Dizem que o bom cabrito não berra...e não berrava mesmo. Mas amanhecia assado, como surpresa para a família e para as visitas. Exatamente no Dia de Natal. No dia,
porque na véspera
quem morre é o peru.
Então é isso. Naquele tempo ou o cara tinha uma meia dúzia de cabrito ou roubava de quem tivesse alguns bem cevados.
De novo, leitor: roubava, não: catava.
Mas hoje não. Hoje a criação é profissional. Tem genética. Tem manejo. Tema corte defumado e tem culinária. Porque tem o SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) para dar qualidade e apoio a tudo isso. Bacana o trabalho do SENAR/PR.
Nesta semana, por exemplo, o cabrito (antigamente relegado a um piquete meio abandonado, lá num canto do sítio) esnobou.
É isso mesmo! A carne versátil do cabrito esnobou na capital do Paraná.
A Curitiba requintada, exigente, da gastronomia fina, provou e aprovou o cabrito. Aliás, nesta altura... sua majestade o caprino.
No Boletim Informativo da FAEP estava lá: Festival Gastronômico de Caprinos apresenta Carne Saudável e Saborosa. E que carne! E que sabor!





