O dia em que
a soja foi embargada
pela Polícia Federal por
ser fruto do Plantio
Direto. Algo perigoso
para a saúde ...

Nesta edição temos uma reportagem com Herbert Bartz, um dos responsáveis pela difusão, no Brasil, do Sistema de Plantio Direto (PD). Ele contribuiu muito. Um País cuja política agrícola transforma o agricultor em ‘‘sugador’’ da terra - e induz ao extrativismo sem preocupação com a sustentabilidade -, certamente precisa de muitos Bartz.
Aliás, cada vez que o Estado atiça seus fiscais contra os transgênicos, a gente se lembra de um episódio hilariante que ocorreu com Herbert Bartz.
  Você, leitor, tem todo direito de duvidar, mas é verdade. Ele garante. Em 1973, início dos anos dourados da soja, Bartz vende a colheita para uma empresa de Cambé. Era a primeira produção da técnica de PD. Bartz estava entusiasmado.
De repente, a informação de que a carga fora embargada e Bartz intimado pela Polícia Federal. A denúncia teria partido ‘‘de uma associação ligada ao setor’’.
(Queira Deus que não tenha sido a Associação dos Engenheiros Agrônomos porque aí seria demais).
Alguém tem idéia do motivo do incidente? Uma dica: pense um pouco sobre os transgênicos, hoje e o que muita gente pensa sobre a soja modificada geneticamente...
O argumento era de que a soja de plantio direto representava um sério risco para a saúde humana.
Bartz queria morrer!
‘‘Disseram que tinham todos os elementos para comprovar esses malefícios’’, conta o agricultor.
Hoje Bartz relembra com boas gargalhadas. Mas naquele tempo - em plena ditadura militar - diz que passou apurado.
Esse é o Bartz. Ninguém deve duvidar porque primatas da ciência existem em todos os lugares.
  A defesa do plantio direto rende ainda outras histórias engraçadas.
Bartz recorda, em depoimento à repórter Célia Guerra, da Folha Rural, o lançamento de um programa estadual para a construção de ‘‘murunduns’’. Foi no governo Richa.
Murunduns são curvas de nível mais elevadas, pois o tamanho usado na época não dava mais conta de segurar a água.
‘‘Pediram a minha opinião sobre o projeto, e eu disse, então, que uma curva de três metros nada mais era do que cumprir a prevalência da força sobre a inteligência’’.
Como assim?
Bartz então explica: ‘‘O que não se tem na cabeça tem de ter no braço’’.
‘‘Quase fui preso por desacato à autoridade’’, brinca.

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