UM DEDO DE PROSA
Não é a cana que tira o espaço dos alimentos. Se houver demanda (aumento de renda) a produção de grãos também aumenta.
O Brasil vai virar um imenso canavial!. A monocultura da cana só atende aos interesses dos exportadores, não oferece alimentos, não produz comida! O Brasil tem que cuidar do abastecimento e garantir a comida na mesa do trabalhador!.
Muitas frases emotivas para combater a mania dos últimos três anos: a expansão da cana-de-açúcar. A discussão, quando não está fundamentada, mistura tudo. Tem até gente dizendo que precisamos produzir alimentos para pessoas e não fazer bebida para os carros dos ricos.
Ora, o problema do acesso à boa alimentação está, na verdade, relacionado com à renda, ao emprego. Pouco tem a ver com a produção. Se houver demanda, haverá produção (de comida, bens duráveis, etc) porque todo mundo quer vender. Então antes de fornecer alimentos - sem demanda - o Brasil precisa gerar empregos para que as pessoas tenham meios para comprar, seja lá o que for, de uma caixa de fósforo, um quilo de carne ou um carro novo.
Estamos conversados?
Não. O Brasil continua sem planejamento agropecuário e agroclimático. A cana gera riqueza. Mas é preciso clarear bem o zoneamento. E a expansão da cana também tem a ver com a questão ambiental. Há cidades no interior de São Paulo cobertas por nuvens de pó e de fumaça da cana. É tempo de corte e colheita.
Mas o percentual de terras férteis ocupados pela cana é pequeno, embora a área pareça enorme em números absolutos.
A área cultivada com cana no País cresceu 12,3% na safra 2007/08 na comparação com o período anterior. A área plantada cresceu de 6,2 milhões de hectares para 6,9 milhões de hectares na safra atual.
Números divulgados esta semana pela Conab confirmam a expansão da cultura da cana-de-açúcar no País. Para a safra 2007/08, a produção nacional será de 547,2 milhões de t, resultado recorde e 15,20% superior à colheita do ciclo anterior, quando a produção foi de 474,8 milhões de t.
Na região Centro-Sul, onde é produzida a maior parte da cana, metade da produção já foi colhida e transformada. Nas demais regiões, a cana está sendo colhida e esmagada.
A expansão dos canaviais ocorreu em todo o País, com destaque para os estados de Minas Gerais (16,8%), São Paulo (11%), Mato Grosso do Sul (32%), Goiás (19%), Mato Grosso (11%) e Paraná (26%).
Esses números precisam ser analisados dentro de um projeto de prioriedades, de política de governo. Mas, com certeza, não estão comprometendo a produção de alvace, abobrinha ou soja.
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Até sábado.





