Durante a semana passada, em um encontro realizado na Cidade da Guatemala, na América Central, ministros e secretários da Agricultura dos 34 países da América Latina ratificaram o compromisso de reduzir a pobreza por meio da modernização do setor até 2015.
Pela notícia, divulgada na agência France Presse, essas autoridades se comprometeram a completar o Plano Agro 2003-2015, seguindo determinações das Metas do Milênio das Nações Unidas. O Brasil estava lá, confirmou a assessoria do Ministério da Agricultura, que informou ainda que esse encontro acontece a cada dois anos e tem o nome de ''Reunião Ministerial Agricultura e Vida Rural nas Américas''.
Sem nos aprofundarmos na avaliação da produção agrícola do País, dá para presumir que há um longo caminho para se atingir essa meta - levando-se em conta que faltam apenas oito anos para chegarmos em 2015. Só no Paraná há, segundo estimativa da Secretaria de Agricultura, cerca de 350 mil propriedades rurais. Desse total, 80% pertencem à agricultura familiar. Na zona rural, 9% da população vivem em situação de insegurança alimentar grave - passam fome -, de acordo com pesquisa do IBGE.
Segundo o gerente regional da Emater, em Londrina, Ildefonso Haas, os recursos do governo federal via Programa Nacional de Fortalecimento à Agricultura Familiar (Pronaf) têm contribuído para melhorar a produção dessas famílias. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, responsável por gerir esses recursos, na safra 2006/07 o Paraná recebeu pouco mais de R$ 995 milhões, distribuídos em 151.550 contratos. A estimativa para a safra 2007/08 é de R$ 1,3 bilhão.
No norte do Paraná, continua Haas, mais de 50% dos agricultores familiares se encaixariam em uma situação de sobrevivência. Mas não há como negar que existem alguns bolsões de pobreza, que há pouca diversificação e ainda que há muita gente insistindo na produção de commodities (soja, milho). Ele destaca também a nova ênfase dada pelo Governo do Estado para o melhor direcionamento desses recursos, garantindo mais renda e tecnologia a essas famílias.
Mas uma outra fonte consultada pela FOLHA RURAL destacou que a assistência técnica disponível para atender e profissionalizar esses produtores é insuficiente. ''Faz 12 anos que não se contrata nenhum novo técnico. As ações quase que se resumem à elaboração de projetos em busca de recursos'', afirma. ''Falta prioridade no governo para a agricultura familiar'', destaca a fonte.
É preciso mobilização, minha gente! Só com muito barulho os governantes vão perceber que a redução da pobreza e da marginalidade nos centros urbanos passa por ações na zona rural. ''A valorização da terra e o desânimo com a produção estão estimulando o êxodo rural. O que farão estas pessoas na cidade, sem estudos ou qualquer outra qualificação?!'', questiona nossa fonte. Alguém ousa responder?

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