Na semana passada o Ministério da Agricultura publicou no Diário Oficial da União (DOU) doze portarias aprovando o zoneamento para cultura de soja em 11 estados e no Distrito Federal. A notícia poderia ser considerada normal em períodos de planejamento de safra, pois há uma atualização anual dessas portarias. Simplificando a explicação, o zoneamento traz informações sobre as condições de produção das diversas regiões do País e os riscos climáticos que orientam a destinação de recursos do crédito e seguro agrícola.
  Entretanto, a divulgação no Paraná causou espanto. Enquanto os estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Santa Catarina tiveram a totalidade dos municípios considerados aptos ao cultivo de soja, aqui o município de Vila Alta foi excluído da lista. Em razão de condições climáticas desfavoráveis!?
  Para localizar, o município está no noroeste do estado, tendo como vizinhos grandes nomes da produção como Umuarama e Paranavaí. Os moradores da cidade, mais do que qualquer outro paranaense, estão em busca de explicações. O agrônomo da Emater José Cosme de Lima mata a charada: Vila Alta não tem mais esse nome. Há quatro anos o muncípio foi rebatizado como Alto Paraíso. Uma fonte do Iapar confirma que essa mudança tem provocado alguns transtornos, como esse da exclusão junto ao Mapa.
  A região, continua Cosme, é caracterizada por grandes propriedades em sistema de pastagens. E, devido à degradação, investem no plantio da soja – seguindo as orientações da tecnologia de integração lavoura-pecuária – para recuperar os solos e melhorar a eficiência produtiva. ‘‘Temos índices de produtividade de soja iguais aos de Parana-va풒, destaca o técnico, ressaltando que a igualdade também ocorre nas condições de clima e solo.
  As informações sobre a aptidão do município, segundo Cosme, seriam repassadas pela Embrapa Soja. ‘‘O Iapar conhece melhor a nossa realidade e já havia solicitado a alteração no período de plantio sugerido pelo Mapa’’, argumenta. A Embrapa justifica que não é dela a responsabilidade pela determinação do zoneamento. ‘‘Cuidamos da elaboração da metodologia do zoneamento’’, informa a assessoria. A reponsabilidade seria do Mapa, ou melhor, de uma empresa autorizada pelo Ministério, a Agroconsult, sediada no Rio de Janeiro.
  Segundo o técnico da Emater, o município espera um comunicado oficial do Ministério para depois pedir a revisão, tendo por base os dados do Iapar.
  Felizmente isso não será preciso. O coordenador técnico do zoneamento pela Agroconsult, Balbino Antonio Evangelista, confirma que a confusão foi mesmo provocada pela mudança no nome do município. Na elaboração da planilha de produção, os municípios são identificados por códigos determinados pelo IBGE. Aí, Vila Alta tem um e Alto Paraíso outro. Dá para imaginar a confusão! O sistema não estava preparado para esta mudança e acabou por excluir a região. A revisão, como garante o técnico da Agroconsult, seria enviada ao Mapa até ontem e na próxima semana deverá ser publicada uma nova portaria.
  Que bom! José Cosme Lima, da Emater, destaca que a cidade se tornaria desinteressante aos arrendatários que investem no município, justamente pela limitação de opções de cultivo e crédito de custeio. ‘‘Sobrariam a cana ou a monocultura. Temos outros projetos direcionados ao aumento da produção’’, informa.

mockup