UM DEDO DE PROSA
Em matéria de transgênico, o Estado atira na vaca para matar o carrapato.
O Estado do Paraná declara guerra aos transgênicos. Nova batalha, aliás. Agora está mirando para o algodão e o milho. Mais do que isso, está mirando para o agricultor. Agricultor que hoje tem que destinar mais tempo para se defeder de problemas (que lhes criam) do que propriamente produzir, que é o que ele faz com gosto.
No caso dos transgênicos, a primeira impressão que se tem é que bastará uma simples suspeita e as lavouras serão destruídas.
A notícia saiu no meio da semana: Os secretários da Agricultura, Valter Bianchini, e do Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, assinaram uma resolução conjunta para regulamentar a fiscalização nas lavouras. A resolução não é válida para o cultivo da soja transgênica porque o plantio já foi liberado no País.
Conforme a resolução, se houver suspeita de transgenia, a lavoura será embargada pela Secretaria de Agricultura como ação cautelar até que uma análise posterior confirme a presença de transgênicos.
Em caso positivo, a Secretaria do Meio Ambiente vai aplicar a lei federal de crimes ambientais, com a autuação do produtor e possível destruição das lavouras e do material apreendido, conforme a interpretação do órgão.
O Estado tem o direito e o dever de se preocupar com os transgênicos. Ninguém tem dúvida quanto ao papel do Estado. O que se questiona é se o alvo está certo, ou seja se realmente é o agricultor que tem que arcar com as consequências.
Autuado e sujeito à multas, ele tem todo direito de, mais tarde, acionar o Estado sob o seguinte aspecto: Por que permitiu o comércio de sementes transgênicas? Por que não deu a suficiente orientação técnica na hora da escolha da sementes (sabe-se que em termos de orientação a estrutura do Estado é extremamente falha). Por que o Estado não fez campanha de esclarecimento para o ''perigo'' do uso de sementes transgênicas?. Detalhe: ameaças não esclarecem.
O Estado tem que ser cauteloso para o feitiço não virar contra o feiticeiro. Por enquanto, o Estado está atuando na repressão do efeito; nada está fazendo para impedir a causa. E como trabalhar a causa? Ora, o Estado sabe: adote medidas para impedir a comercialização das sementes. É preciso uma ação preventiva, de orientação. A posição do homem do campo é difícil. Agente distribuidor de riquezas, empregador e contribuinte, o agricultor precisa muito mais de apoio do que de ameaças. O homem do campo é cordato, colaborador. O Estado tem que rever a forma de se comunicar com este setor importante social e econômicamente. Não é possível que tudo tem que ser na base da ameaça!.





