UM DEDO DE PROSA
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de fevereiro de 2007
Do leitor Alvaro A.S.de Souza 
Sinto saudades dos chupa-cabras e dos lobisomens. Os chupa-cabras apareciam por aí, atacavam essa ou aquela criação, mas nunca se soube ao certo como agiam. Também nunca mostraram a cara. Eram uns bichos bestas, meio alongados, pelo jeito. Hoje o bicho homem, dotado de inteligência e de muita maldade invade as propriedades e come ovelhas de raça, vacas de raça e barriguda. Falam que é prá se vingar de corruptos. Se fosse assim iam ter que invadir tudo lá em Brasília. Lá não tem cabra; o que tem lá são muitos cabra safados e cabras-da-peste. E isso não é crendice.
Mas também tenho saudades do lobisomem, em tempo de Quaresma. À meia-noite de toda sexta-feira de lua cheia (só às sexta-feira e de lua cheia), o corpo do cara enche de pêlos, os dentes crescem, as unhas crescem, ele vira fera. E nesse encanto, correndo de canto em canto, aquele bicho feio fica agressivo e vai caçar. Ataca o que vê pela frente, sendo vivente... Faz estragos, bota medo em todo mundo, dos Josés aos Raimundos.
Só que tem um porém, seu moço, o encanto, o reinado ou o estrago do lobisomem dura duas horas, mesmo assim, tem que ser sexta-feira e de lua cheia. E hoje em dia? Hoje, homens com pele de cordeiro fazem estrago o ano inteiro; em todas as fases da lua; muitas sextas-feiras, sábado, domingo, segunda...todos os dias da semana, enquanto continuar no poder... Basta ver parar crer! Lobisomem, bichinho inofensivo.


