UM DEDO DE PROSA - Você dá banho na minhoca?
Caro amigo leitor, sei muito bem que há uma grande chance de você ser um amante da pescaria. A maioria do povo que gosta do campo gosta também de ficar na beira do rio, da represa, ou do ribeirão, que seja, dando banho na minhoca. Quem não gosta de pescar, no mínimo gosta de saborear um bom peixe, não é verdade?
O povo do Paraná gosta de uma pescaria, sabemos bem. Também não é para menos. Aí está um Estado abençoado pelas águas. Olha só: nascendo lá nos Campos Gerais, o Tibagi corre para o Norte, fornece água para os londrinenses beberem e vai desaguar no Paranapanema, ajudando a formar a represa da hidrelétrica de Capivara.
E por falar em Paranapanema, os vizinhos de São Paulo se orgulham de chamá-lo de ''rio paulista''. Eles têm razão, o ''Panema'' nasce lá, mas corre para Oeste. Assim, o Paranapanema marca a divisa natural São Paulo-Paraná, banhando diversos municípios paranaenses em sua margem esquerda, até desaguar no Rio Parana, o ''Paranazão'', esse um rio fantástico, que nasce na confluência dos rios Grande e Parnaíba, lá para as bandas do Mato Grosso do Sul, correndo em direção à bacia do Prata, na Argentina, onde deságua. No meio do caminho, empresta suas águas para girar as turbinas de Itaipu. Pena que a hidrelétrica tenha custado o fim das Sete Quedas...
Continuando falando de rios, paralelos ao Tibagi, correm o Laranjinha e o das Cinzas, que passam por todo o Norte Pioneiro. Tem também o Ivaí, que vai do Sul até Noroeste, desaguando no Paraná. Não podemos esquecer do Iguaçu, que nasce mirrado em Curitiba, judiado pelo ambiente urbano, mas, lá adiante, protagoniza um espetáculo que encanta gente do mundo todo, com as suas cataratas.
Podíamos falar também do Piquiri, do Pirapó, do Itararé, do Grande... Precisaríamos de uma FOLHA RURAL inteira.
Falei dessa água toda para lembrar que na semana que começa amanhã comemora-se o Dia do Pescador (29). Com tamanha fartura de rios, deveríamos só comemorar, mas somos obrigados a também refletir nessa data. Se você conversar com aqueles que vivem da pesca, os profissionais, eles vão se queixar que está cada vez mais difícil tirar o sustento dos nossos rios. Não é por acaso. Na maioria deles, falta mata ciliar, a poluição urbana é farta e os agrotóxicos se misturam às águas.
Quem pesca só por lazer também reclama do sumiço de algumas espécies. Tirar um dourado do Tibagi é coisa raríssima. Essa espécie já foi mais farta nele...
Gente, vamos cuidar dos nossos rios. Quero ter o prazer de ver meus netos aprendendo a banhar a minhoca! E de comemorar o Dia do Pescador!
H. Ramos Bezerra





