Mês de junho é tempo de festa junina. Seja aqui, em Minas, no Nordeste, todo mundo se empanturra de felicidade e de algumas coisinhas mais. Friozinho, quadrilha, sanfona, pau de sebo, quentão, pipoca, canjica e broa de milho enrolada na folha de bananeira. Só para ficar no cardápio mais tradicional.
Quando era menino, esperava com ansiedade a chegada das festividades juninas, porque os dias tinham situações e gostos específicos desta época do ano. Logo que entrava junho, começava a movimentação lá em casa. Minha mãe saía à cata de retalhos coloridos para remendar minhas calças de brim. No armazém, ela comprava um pedaço de flanela xadrez e costurava a camisa que servia para a quadrilha e também para me manter aquecido durante o festejo.
O chapeuzinho de palha eu sempre tinha algum já usado. O mesmo acontecia com a botininha de couro. Era bom que estes acessórios já estivessem meio gasto durante as festividades juninas. Compunha melhor a personagem. Por fim, minha mãe pegava um pedacinho mais ''macio'' de carvão e pintava o bigodinho e as costeletas. Pronto. Eu era um legítimo caipira vestido de caipira.
A festa junina na roça acontecia sempre no pátio da igrejinha erguida em homenagem a Nossa Senhora da Medalha. Da cerquinha de arame que circundava saíam varais de bandeirinhas de papel multicoloridas que se uniam na torre, onde ficava o sino. Enroscados entre as bandeiras, cipós de flor de são joão concluíam a decoração. Do outro lado, era erguido o pau de sebo com inalcansáveis três metros de altura.
Um pouco ao lado ficava a fogueira, que ardia a noite toda e pintava de vermelho-fogo a noite cheia de lua. O calor que emanava das chamas amainava o frio e deixava enrubecido os rostos. A brasa era aproveitada para assar espigas de milho, espetadas em varetas.
Organizadas numa parede lateral da igreja, barraquinhas vendiam comidas típicas. Enquanto isso, só aumentava a fila para comprar fichinhas para pescaria, argola e bola no palhaço.
Sem despertar desconfiança, a molecada se reunia em um cantinho para tomar escondida golinhos de quentão. Nada que embriagasse. Era apenas nosso pequeno pecado, antes que a quadrilha principiasse.
E finalmente acontecia. Pares enfileirados frente a frente. As meninas todas com vestidos de chita até os joelhos, trancinhas por baixo do chapéu enfeitado com fitas na aba, pintinhas na bochecha. Caminho da roça... Olha a chuva!... A ponte quebrou... Anauê... Viva Santo Antônio, São Pedro e São João.

Luciano Augusto é jornalista da FOLHA

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