UM DEDO DE PROSA - Porco não, suíno
Aconteceu o que já se esperava: o aumento do boi puxou também o aumento do preço do porco. O que? Porco?! Calma. Desculpe pessoal, desculpem todos. Quando digo porco não digo porco, digo suíno. Porque o suíno que se preza não aceita ser chamado de porco; eles se consideram suínos, que é uma espécie que tem pedigreee e raça. Alguns, só por vigança, costumam dizer que porcos são os donos, quando não lhes tratam com boa comida e limpeza. E onde o porco fica não é chiqueiro, são instalações, granja, com água limpa, sem mosca, sem cheiro.
Mas vamos ao que interessa. A suinocultura está vivendo o melhor momento com a demanda aquecida e o preço bem remunerador. Para o produtor não é bom que o preço aumente muito; bom é quando há o equilíbrio. Se o preço subir muito, pode ocorrer um recuo no consumo, e isto não é bom nem para o mercado, tampouco para quem produz. Mas, elevar ou reduzir os preços, nem sempre depende do dono do porco (desculpe de novo, quero dizer dono do suíno) porque quem aumenta o preço mesmo são os supermercados (varejo), um setor forte que manobra os preços das mercadorias como eles querem. Quinta-feira, em Londrina, o quilo do pernil estava custando entre R$ 8,50, em um supermercado da Zona Sul e R$ 13,50 num mercado do bairro Shangri-lá. Agora você imagina a margem de lucro do varejo, que comprou do frigorífico por R$ 4,00/5,00. A Associação Paranaense de Suinocultores diz que o lucro do varejo é uma ''caixinha preta'' que ninguém descobre que números tem lá dentro, Mas a margem é grande.
Não dá para fazer piada com coisa séria. Não dá para ser prosa. Acho que o consumidor tem que saber dessas coisas.
Até sábado!
H.Ramos Bezerra
A prosa de hoje foi extraída da entrevista com um dirigente da suinocultura.





