UM DEDO DE PROSA - Para alguns, as cores do arco-íris estão sempre desbotadas
É hoje a minha chance de botar a mão naquele tesouro.
Que tesouro? Tá ficando maluco, tchê?
Bá, então tu não sabes? Pois eu lhe digo: chuva e sol é muito mais que casamento de espanhol. É arco-íris no horizonte. Coisa do arco-da-velha, meu guri!
Os dois irmãos deixam o galpão para apreciar o arco-íris.
á E não é que ele está todo faceiro? admite o mais velho da tradicional família Venâncio Brill, um solteirão de 50 anos, o cético Tertulho.
Coisa linda de se vê, exclama, emocionado com os caprichos da natureza. Fico mais apaixonado que o normal exibe-se.
O caçula da família, Cezarim, aproveita e insiste:
á Então por que não admite que a lenda possa estar certa quando diz que no pé do arco existe um pote de ouro, um baú de diamantes ou coisa que os valha? É já que eu junto o tordilho na espora e me mando pra lá desafia. Vamos também, mano!
Tertulho continua indiferente. Mas sonha.
Capaz! Preferia uma china, me esperando ao pé do arco, e eu, sempre cortez lhe oferecendo uma erva caprichada: Aceita, santíssima! Barbaridade. Que sonho, mano, que sonho.
O solteirão divaga. Mas continua cético, diante da lenda.
Mas não me venha com essa história de que há ouro no local. Se assim fosse, toda Passo Fundo, Dom Pedrito e Erexim iriam pra lá. Tu acreditas em Papai Noel. Esse logo está desapontando por aí.
O sonho entre os viventes acaba, quando o arco-íris começa a se descolorir. O sol já está mais pálido e a chuva dá uma trégua. Os irmãos se recolhem sob o abrigo do velho galpão. A esperança se apaga e alguém reacende o fogo que aquece a inseparável cuia.
Antonhadão que a tudo assistia, não disfarça certa emoção diante dos irmãos resignados, conformados, unidos...
O interior é romântico, mas nem tanto...É frio. Às vezes rude, muitas vezes cruel.
Antonhadão disfarça a tristeza dando sua versão para os caprichos do arco-íris.
Amigos: O tal arco é apenas um fenômeno óptico, meteorológico, que separa a luz do sol quando ela brilha sobre as gotas da chuva formando um espectro de cores, vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e violeta. Uns defendem que as iniciais das cores (o Laranja, o Amarelo, o Verde e o índigo) formam a palavra Lavai. Mas lavai o quê, o rosto? Para os religiosos o arco-íris e muito mais. Significa que toda vez que o arco-íris se forma no horizonte, é a renovação da mensagem de Jesus de que o mundo não acabará em dilúvio. Que bom!
Agora quer saber mesmo: ao jogar água para as flores, antes do pôr do sol, repare que você mesmo pode criar um arco-íris no seu jardim. Só depende da posição da água em relação ao sol. Com um pouco de sentimento, pode transformar-se em poesia.
H. Ramos Bezerra





